Doria muda de opinião e declara voto em Flávio Bolsonaro

Ex-governador havia declarado em 2022 que votaria nulo entre Lula e Jair Bolsonaro; agora, afirmou que escolherá Flávio no segundo turno

Ex-governador de São Paulo, João Doria
Foto: Reprodução/Youtube
Ex-governador de São Paulo, João Doria

Após declarar, nas eleições de 2022, que entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-presidente Jair Bolsonaro votaria “nulo”, o empresário e ex-governador de São Paulo João Doria declarou, neste domingo (18), que, nestas eleições, irá votar em  Flávio Bolsonaro (PL).

Apesar de não ter citado diretamente o nome do candidato, Doria manifestou, durante seu discurso, a intenção de votar em Flávio.

De certa forma, na semana que vem nós temos a oportunidade de manifestar isso. Ainda que tristemente, eu gostaria que o Brasil tivesse outras opções, mas é o que temos. É o que temos. Mas eu não vou me esquecer. Estive em Israel quatro vezes. Recebi o título da Universidade de Jerusalém que eu guardo com um enorme carinho entre as comendas mais importantes que eu já recebi na minha vida. O meu voto pela segunda vez no próximo domingo será contra aquela pessoa que não teve a dignidade de respeitar a comunidade judaica no Brasil.


A declaração foi feita durante um evento da Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp), que reuniu personalidades nacionais e internacionais para debater temas como liderança, geopolítica, segurança, identidade e o mundo contemporâneo. O evento ocorreu das 13h às 18h30, no Teatro Porto Seguro, em São Paulo.

Doria também afirmou que o governo federal não adotou as medidas que considerava necessárias para amparar a comunidade judaica. Segundo ele, faltou capacidade de diálogo com a comunidade.

Eu classifico como os quatro mais tristes anos do Brasil na relação com a comunidade judaica. Lamentavelmente, os mais tristes, desleais e injustos na história da comunidade judaica desde o final da Segunda Guerra. Faltou atitude, faltou compreensão. E ao contrário, gestos e iniciativas daqueles que negam até hoje o Holocausto. Como pode um representante do governo brasileiro de sentar com líderes numa viagem ao exterior que negam o holocausto e que financiam movimentos para assassinar judeus em várias partes do mundo?



Críticas à pandemia

Apesar de declarar apoio a Flávio,  Doria também criticou a condução do governo federal durante a pandemia de Covid-19, quando Jair Bolsonaro ocupava a Presidência da República.

[Na pandemia] Nós adotamos a medida correta e recomendada pelos médicos que era proteção, máscaras, isolamento. Não era uma medida para prejudicar ninguém, era pra defender vidas. Assim como meses depois, tomamos a decisão correta de comprar a vacina que o governo brasileiro dificultava e indicava cloroquina e os médicos capacitados e qualificados diziam: 'É preciso a vacina'.


O evento contou com palestras do ex-governador de São Paulo João Doria, do escritor israelense Hen Mazzig, do empresário e cientista social Marcos Troyjo, do escritor Luiz Fernando Lucas e do engenheiro e empresário Rogério Chequer. Também houve participação dos atores israelenses Yaakov Zada Daniel e Meirav Shirom, da série “Fauda”.