Se fisgar, não devolva à água: peixe-jaguar ameaça Rio Jacaraípe

Espécie exótica invasora nativa da América Central foi encontrada em Área de Proteção Ambiental (APA) na cidade de Serra (ES)

Popularmente conhecido como 'tucunaré tigre', peixe pode ser consumido e não deve ser solto caso capturado
Foto: Reprodução/Instituto Braff/Redes Sociais
Popularmente conhecido como 'tucunaré tigre', peixe pode ser consumido e não deve ser solto caso capturado

O peixe-jaguar, predador topo de cadeia nativo da América Central, foi capturado em Área de Proteção Ambiental (APA) no Rio Jacaraípe, na cidade da Serra, região metropolitana de Vitória . A espécie é invasora no Brasil e ameaça o ecossistema do corpo d'água brasileiro, com possibilidade de se espalhar.

Segundo alerta do Instituto Brasileiro Fauna e Flora (Braff), o Parachromis managuensis, popularmente conhecido como “ tucunaré tigre ”, representa uma grave ameaça ecológica para os rios locais.

Em ecossistemas delicados e de escala regional, como a bacia hidrográfica do Rio Jacaraípe e seus alagados/manguezais associados, a presença desta espécie pode deflagrar um colapso na biodiversidade local                  
    Instituto Braff


A entidade afirma a presença do ciclídeo jaguar ameaça a bacia hidrográfica, que possui áreas protegidas, como a Lagoa de Jacuném.

Um dos  fatores de risco é o comportamento predatório e territorial da espécie. Segundo o instituto, a espécie se alimenta de peixes menores, como o lambari, o que pode afetar toda cadeia alimentar, incluindo aves locais.

Outro ponto é a capacidade de adaptação. Conforme o Ibraff, o peixe-jaguar é resistente a diferentes temperaturas da água, além de oxigenação e turvação, fatores que podem favorecer a migração do peixe a outros pontos da bacia, até mesmo transição entre água doce e salgada.

A reprodução da espécie também favorece sua dispersão. O peixe-jaguar dificulta a predação dos próprios filhotes, com um comportamento de cuidado parental. A somatória desses fatores pode agilizar o crescimento da população invasora, pressionando os animais nativos da bacia.

Para além da competição por sobrevivência, o instituto aponta que a disputa também pode ser por espaço. O  peixe-jaguar pode lutar por pontos de abrigo e de desova com outros animais, agravando ainda mais a situação.

A velocidade da expansão do invasor ainda precisa ser avaliada conforme as condições ambientais oferecidas pelo Jacaraípe, contudo.


Pescadores esportivos não devem devolver indivíduos após captura

O instituto alerta aos pescadores da  Serra (ES) sobre as formas adequadas de manejo da espécie. Por ser um invasor, não se deve devolver os exemplares à água, seja após pesca esportiva ou por aquarismo

A soltura pode ser caracterizada como crime ambiental e é uma das principais causas da dispersão da espécie em bacias brasileiras. Os animais podem ser consumidos. A carne se assemelha ao conhecido tucunaré.

Peixe-jaguar circula pelo país há 20 anos

A espécie não é novidade em ambientes naturais do Brasil. Dados do Ministério do Meio Ambiente registram a espécie exótica já em 2003, na bacia do Rio São Francisco.

O animal se alimenta de outros peixes e invertebrados de maior porte. Ele costuma preferir por águas mais turvas e lagos, mas é altamente adaptável.