
Sob o comando do ex-governador Marconi Perillo, o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) não elegeu nenhum deputado federal por Goiás nas eleições de domingo (4). A derrota nas urnas interrompe uma sequência de oito pleitos com ao menos um representante eleito pelo estado para a Câmara Federal
.
A legenda conquistou sua primeira cadeira em 1994 e chegou a eleger seis parlamentares em 2014 . Apesar disso, nos pleitos seguintes a sigla conquistou apenas uma cadeira em cada pleito e, agora, ficou de fora da distrituição das 17 vagas da bancada estadual.
O resultado aprofunda uma perda de espaço que teve seu ponto de inflexão em 2018 com ascensão da extrema direita representada por Jair Bolsonaro, eleito naquele ano.
Entre 2014 e 2018, o PSDB perdeu quase metade dos deputado federais, saindo de 54 para 29 mandatários. Em Goiás, a bancada federal eleita pelo PSDB no estado caiu de 6 para um. Célio Silveira foi o único candidato da sigla a conquistar um mandato naquele pleito.
Quatro anos depois, em 2022, Lêda Borges manteve o partido com uma cadeira. Eleita com 51.346 votos, ela foi a única representante tucana escolhida pelos goianos para a Câmara naquela eleição. O resultado de 2026 encerra essa sequência de presença eleitoral iniciada há 32 anos.
Como ficou o partido eleição após eleição
O primeiro eleito pelo partido foi Jovair Arantes, em 1994. No pleito seguinte, com a chegada de Lúcia Vânia, o partido dobrou o número de cadeiras ocupadas em Goiás.
O primeiro auge da bancada goiana do PSDB na Câmara Federal foi em 2002, ano da primeira reeleição de Marconi. Nesse ano, o partido elegeu: Henrique Meirelles, Raquel Teixeira, Jovair Arantes, Carlos Alberto Leréia e João Campos.
Em 2006, o partido elegeu Leonardo Vilela e reelegeu Raquel, João Campos e Leréia, ficando com uma cadeira a menos que no pleito anterior. Em 2010, o partido novamente perdeu uma vaga.
Em 2014, o PSDB elegeu Delegado Waldir, Giuseppe Vecci, Célio Silveira, Alexandre Baldy, João Campos e Fábio Sousa eleito em 2026 pelo PL). A conquista coincidiu com a quarta vitória de Marconi em uma eleição para governador, depois dos triunfos de 1998, 2002 e 2010.
A eleição de 2018 rompeu esse patamar. Além da redução da bancada federal, o PSDB perdeu a disputa pelo governo: Zé Eliton terminou em terceiro lugar, enquanto Ronaldo Caiado, então no DEM, venceu no primeiro turno. Marconi, que disputou uma vaga no Senado, também não foi eleito. As duas cadeiras ficaram com Vanderlan Cardoso e Jorge Kajuru.
A ascensão do bolsonarismo ocorreu nesse mesmo processo de reorganização eleitoral. Delegado Waldir, eleito pelo PSDB em 2014, foi reeleito em 2018 pelo PSL, então partido de Bolsonaro, e liderou a votação para deputado federal em Goiás, com 274.397 votos.
A bancada nacional tucana voltou a diminuir em 2022, quando o partido elegeu 13 deputados. Em 2026, foram 11.