
Uma estimativa sobre a comercialização de drogas ilícitas deverá ser incluída no cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) a partir de 2028, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) .
Segundo o instituto, a medida segue os manuais de Contas Nacionais, que estabelecem que toda atividade econômica deve ser medida, independentemente de ser informal ou ilegal. A mensuração, no entanto, não altera de forma alguma o status jurídico da atividade, que permanece sendo crime grave tipificado pela Lei de Drogas .
Países como Inglaterra, França, Alemanha, Suécia, Hungria e outros integrantes da União Europeia já realizam a inclusão das drogas ilícitas no cálculo do PIB. A medida faz parte do Sistema Europeu de Contas desde 2010.
No Brasil, o IBGE ainda está em processo de testes. As discussões sobre o tema tiveram início em 2019 e, em 2021, foi feita uma primeira estimativa para testar a metodologia. Além das drogas ilícitas, também está prevista a inclusão de criptoativos, que não integram a atual estrutura do Sistema de Contas Nacionais do país.
A incorporação dessas novas atividades poderá impactar o valor calculado do PIB. Segundo o analista socioeconômico do IBGE Jefferson Mariano, as mudanças fazem parte do processo de atualização da base de dados e também serão aplicadas às séries históricas para permitir comparações.
Como será feito o cálculo
O cálculo deverá cruzar dados operacionais de segurança, como volume de apreensões de entorpecentes e perfil de usuários do sistema de saúde pública, com pesquisas de amostragem de consumo e estimativas internacionais.
As estimativas, no entanto, deverão ser feitas com cautela. O delegado de Polícia do Estado de São Paulo, especialista em Inteligência Policial e Segurança Pública, André Pereira, avalia que existe o risco de interpretar o tamanho econômico estimado do mercado de drogas como uma medida direta do tamanho ou do poder das organizações criminosas.
Ele explica que um alto faturamento bruto não se traduz automaticamente em poder bélico, territorial ou de infiltração institucional.
A inclusão do mercado de drogas nas Contas Nacionais também pode abrir caminho para que, no futuro, outras atividades ilegais que movimentam valores relevantes sejam consideradas nas estatísticas econômicas.
Para Pereira, essa mensuração oficializa o impacto econômico e financeiro do crime organizado na macroeconomia do país.
De acordo com o delegado, trazer esses números para o PIB irá escancarar a dimensão do capital movimentado e reforçar que a resposta do Estado precisa priorizar a sufocação financeira, o estrangulamento patrimonial e a desarticulação das estruturas empresariais montadas pelas facções criminosas.