Ônibus que caiu em ribanceira e matou 6 romeiros era clandestino

Informação é da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT); veículo que seguia para Aparecida (SP) fazia transporte ilegal de passageiros

ANTT constatou a irregularidade: ônibus caiu em ribanceira e matou 6 romeiros
Foto: Reprodução/redes sociais
ANTT constatou a irregularidade: ônibus caiu em ribanceira e matou 6 romeiros

A viagem do  ônibus que caiu em uma ribanceira e matou seis romeiros em Cruzeiro, no Vale do Paraíba, interior de São Paulo, na manhã deste domingo (20), era realizada de forma clandestina, segundo informou a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

O acidente aconteceu na manhã de domingo (20), na Rodovia Doutor Avelino Júnior (SP-052). O ônibus transportava 48 romeiros que haviam saído de Lavras, em Minas Gerais, por volta das 22h de sábado (19), com destino a Aparecida (SP).

O veículo caiu de uma altura de aproximadamente 15 metros. Seis pessoas morreram e outras 42 ficaram feridas. Os  sobreviventes foram levados para hospitais de Cruzeiro, Lorena e Guaratinguetá.

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) informou ao iG que, após consulta aos sistemas da Agência, foi constatado que o ônibus de está registrado em nome de pessoa física e, na data do acidente, não estava vinculado a nenhuma empresa autorizada pela ANTT para a prestação de transporte interestadual de passageiros. Também não havia Licença de Viagem (LV) emitida para o veículo e para a operação realizada.

Dessa forma, a NTT afirma que, “sob o ponto de vista da regulação federal do transporte rodoviário interestadual de passageiros, a viagem era realizada de forma clandestina”.

A agência destaca ainda que a empresa Botelho Viagens Ltda não possui autorização da ANTT para a prestação de transporte interestadual de passageiros. Já a Meteoro Transportes Coletivos Ltda. não possui autorização vigente desde 26 de abril de 2026. Na data do acidente, o veículo também não possuía vínculo com essa empresa perante a ANTT.

“Por não haver empresa autorizada vinculada ao veículo nem Licença de Viagem para o deslocamento, não foi identificada autorização da ANTT que amparasse a operação realizada”, diz, por meio de nota encaminhada à reportagem.

Investigações

Em relação às investigações, a ANTT afirma que a apuração das condições mecânicas do ônibus e das circunstâncias que provocaram o acidente compete às autoridades policiais e à perícia responsável pela investigação.

Informa também que mantém ações permanentes de fiscalização do transporte rodoviário interestadual de passageiros, inclusive para o combate ao transporte clandestino.

As operações ocorrem durante a semana, aos finais de semana e em períodos noturnos, considerando as características desse tipo de serviço e os horários de maior circulação. Em períodos de aumento da movimentação de passageiros, como feriados, eventos e épocas de romarias, a fiscalização pode ser direcionada de acordo com o planejamento operacional e as informações de inteligência e de risco disponíveis.

Enfatiza que também recebe denúncias relacionadas à prestação irregular de serviços de transporte sob sua competência, que podem subsidiar ações de fiscalização. E salienta que questões relacionadas especificamente a defeitos mecânicos, vazamentos ou às causas técnicas de um acidente devem ser avaliadas pelos órgãos competentes e pela perícia, sem prejuízo da atuação da ANTT quando houver indícios de irregularidade na prestação do serviço de transporte interestadual.

A agência lamentou o acidente e que se solidariza com as vítimas e familiares.

Motorista em liberdade provisória

O motorista do ônibus, Lammounier Domingos Botelho Naves, de 38 anos, havia sido preso em flagrante após o acidente. Nesta segunda-feira (21), durante audiência de custódia, a Justiça concedeu liberdade provisória a ele.

Ele havia sido autuado por homicídio culposo e lesão corporal culposa, com causa de aumento relacionada ao transporte profissional de passageiros.  A investigação continua para esclarecer as circunstâncias do acidente e eventual responsabilidade criminal pelas mortes e pelos ferimentos.

O iG entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP/SP) para questionar o andamento das investigações, mas, até a publicação desta matéria, não obteve retorno. O espaço segue aberto.

Condições do ônibus

A Polícia Civil apura as condições do ônibus, que tinha um pneu em más condições e apresentava marcas de frenagem na pista, segundo informações do portal A Gazeta, do Vale do Paraíb a. Fabricado em 1995, o veículo ainda será periciado para verificar o sistema de freios e outros componentes.


A defesa do motorista atribui o acidente a uma falha mecânica, que teria impedido o acionamento dos freios, e afirma que não houve registro de excesso de velocidade.

Seis pessoas morreram

As vítimas fatais do acidente foram Sebastião Petronilho, de 74 anos; Jairo Antônio de Paula, de 47; Augusto Antônio de Lima, de 43; Ilza Nazaré Pereira Paulo; Evandro Carlos Garcia, de 46; e Alice Fátima Alves da Silva, de 14 anos.

Ilza era uma das responsáveis pela organização da romaria que saiu de Itumirim. Alice era adolescente e estava entre os  romeiros que viajavam para Aparecida.