Parasita anisakis em salmão (Oncorhynchus keta)
Togabi/Wikimedia Commons
Parasita anisakis em salmão (Oncorhynchus keta)

Uma pesquisa da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) encontrou parasitas em 96% dos  atuns-bonitos (Katsuwonus pelamis) estudados.

Ao todo, foram achados mais de 1,6 mil parasitas em diferentes partes dos animais. Dos 53 peixes examinados, em 31 deles, os organismos estavam no músculo, ou seja, na carne consumida pelas pessoas, inclusive em preparos crus. Ao todo, foram encontrados 441 organismos nessa região do peixe.

A maior quantidade estava no intestino, com 596 parasitas. Outros 408 foram encontrados no estômago. Ainda tinham organismos no fígado, nos órgãos reprodutivos e em outras partes do corpo. O coração e os rins foram os únicos órgãos em que nenhum parasita foi encontrado.

Entre os organismos achados estavam parasitas dos gêneros Anisakis e Rhadinorhynchus, além de integrantes do grupo Trypanorhyncha

Pesquisadores encontraram mais de 1,6 mil parasitas em 53 exemplares de atum-bonito
Maia de Aquino et a., Ocean Coast. Res., 2026
Pesquisadores encontraram mais de 1,6 mil parasitas em 53 exemplares de atum-bonito


Como eles chegam à carne do peixe?

Os parasitas costumam estar inicialmente nas vísceras, mas algumas larvas podem deixar esses órgãos e se espalhar pelo corpo do animal. Nesse processo, podem chegar até a musculatura, onde fica a carne.

Por isso, os pesquisadores destacam a importância de retirar as vísceras dos peixes o mais rápido possível depois da pesca. Isso pode diminuir a possibilidade de que larvas que estejam nos órgãos internos continuem se movimentando e cheguem à carne.

inspeção dos peixes durante o processamento também é importante antes que o pescado seja comercializado e chegue ao consumidor.

Peixes foram capturados em mar aberto

Os peixes foram capturados em 2019 e 2021 durante a pesca em mar aberto no Atlântico Centro-Meridional. Depois da captura, foram congelados a -18 °C e levados ao Laboratório de Saúde dos Organismos Aquáticos da UFSC, em Florianópolis.

No laboratório, os pesquisadores abriram os peixes e examinaram diferentes órgãos, além da musculatura, para procurar os parasitas.

Os organismos encontrados foram analisados com microscópios, incluindo um microscópio eletrônico de varredura, equipamento capaz de produzir imagens com grande ampliação e mostrar detalhes muito pequenos dos parasitas.

Um dos parasitas pode causar doença

Entre os organismos encontrados estava o Anisakis. Algumas espécies desse gênero podem causar anisaquíase, uma doença provocada pela ingestão de larvas do parasita. A infecção pode provocar dor abdominal, náusea, vômitos e diarreia. Em algumas pessoas, também pode causar reações alérgicas.

Já a ingestão acidental de larvas do grupo Trypanorhyncha é considerada rara. No caso do Rhadinorhynchus, não há registro na literatura científica de infecção em seres humanos.

O risco está principalmente ligado ao consumo de peixe cru ou malcozido. O cozimento adequado mata esses parasitas. Porém, algumas proteínas do Anisakis podem resistir ao calor e ao congelamento. Em pessoas sensíveis a essas substâncias, elas podem provocar reações alérgicas mesmo quando o parasita já não está mais vivo.

Apesar de os parasitas terem sido encontrados em quase todos os peixes examinados, os pesquisadores fazem uma ressalva importante de que o resultado não permite dizer que todos os atuns-bonito tenham uma quantidade igual de parasitas.


Atum-bonito é importante para a pesca

O Katsuwonus pelamis é conhecido no Brasil por vários nomes, como bonito-listrado, bonito-oceânico, bonito, gaiado, atum-listrado e atum-gaiado.

A espécie vive em águas tropicais e temperadas e percorre grandes distâncias durante suas migrações.

No Brasil, é o atum mais abundante e tem grande importância para a pesca comercial. O peixe é usado principalmente na produção de alimentos enlatados, mas também pode ser vendido cru ou congelado.

Segundo os dados citados no estudo, 31.435 toneladas da espécie foram capturadas no Brasil em 2023. Em 2022, o bonito também ficou entre os peixes marinhos mais capturados do mundo, com 3,1 milhões de toneladas.

O estudo foi publicado na revista Ocean and Coastal Research e tem como principal autora Clarissa Maia de Aquino.

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