
Um esquema criminoso especializado em desmanchar caminhonetes de alto valor para a venda de peças em Goiânia foi descoberto pela Polícia Civil de Goiás, na manhã desta terça-feira (1º). As investigações indicam que o grupo chegou a utilizar mais de 50 veículos furtados em Minas Gerais para alimentar o negócio.
Ao todo, os agentes da Operação Código Frio cumpriram sete mandados de prisão e 13 de busca e apreensão em casas, galpões e lojas da capital goiana. A ação mobilizou mais de 50 policiais da delegacia especializada no combate a furtos e roubos de veículos.
Segundo a delegada Rafaela Azzi, as c aminhonetes de luxo eram furtadas em Minas e trazidas para Goiás com placas clonadas. Assim que chegavam a Goiânia, os veículos iam direto para galpões afastados, onde eram rapidamente desmontados para que as peças fossem colocadas à venda nas lojas da cidade.
Prisão de integrantes deu início às investigações
A partir das prisões, a polícia identificou a participação de quatro lojistas e uma mulher, companheira de um dos detidos. Conforme a apuração, os investigados exerciam diferentes funções, desde a negociação e o financimaneto das viagens até o transporte dos veículos, o demanche e a venda dos componentes.
Integrantes do grupo viajavam de ônibus para Minas Gerais, recebiam as caminhonetes e retornavam dirigindo até Goiânia. De acordo com a polícia, os trajetos e horários eram escolhidos para reduzir o risco de fiscalização.
Para ligar e transportar os veículos, eram usados módulos de ignição preparados com um “ código frio ”, expressão que deu nome à operação, além de chaves e placas falsas . O equipamento permitia acionar as caminhonetes mesmo sem as chaves originais.
Desmontados em Goiânia
Em Goiânia, os veículos eram levados a galpões diferentes dos estabelecimentos comerciais. Depois do desmanche, outros integrantes retiravam as peças e as encaminhavam para locais de armazenamento ou diretamente para lojas de componentes usados.
A separação entre os locais de desmontagem, armazenamento e venda, segundo a Polícia Civil, buscava dificultar a identificação da origem criminosa das peças e a ligação entre os veículos furtados e os comerciantes. Dois galpões utilizados no esquema foram localizados durante as investigações.
A delegada afirmou que três dos quatro lojistas alvos de prisão preventiva já eram conhecidos da polícia por suspeitas de envolvimento em crimes semelhantes. Para a corporação, os estabelecimentos funcionavam como fachadas para inserir no mercado peças anunciadas como usadas, mas provenientes de veículos furtados .
Os investigados poderão responder, conforme a participação atribuída a cada um, por associação criminosa, receptação e adulteração de sinal identificador de veículo automotor
.