Ministro da Controladoria Geral da União, Vinicius Carvalho
Marcos Oliveira/ Agência Senado
Ministro da Controladoria Geral da União, Vinicius Carvalho

Sete servidores públicos federais foram suspensos por fraudes em registros de vacinação contra a COVID. A Controladoria-Geral da União (CGU) aplicou as penalidades após concluir processos administrativos disciplinares. As decisões foram publicadas no  Diário Oficial da União (DOU) desta quinta-feira (23), assinadas pelo ministro da CGU, Vinicius Marques de Carvalho.

Os servidores ficarão entre 32 a 47 dias suspensos das funções públicas. Segundo apurações coordenadas pela comissão responsável, as infrações foram penalizadas e acordo com o estatuto que rege o funcionalismo público federal (Lei nº 8.112/1990).

As apurações apontaram que servidores públicos federais desembolsaram até R$ 800 para obter registros falsos de vacinação contra a COVID no sistema do Ministério da Saúde, acarretando em violação das obrigações internas do serviço público e quebra de decoro por parte dos  envolvidos.

Quem deveria cuidar e fiscalizar, frauda

O que aumenta a gravidade do caso é o perfil profissional dos envolvidos. Entre eles estão profissionais que ocupam posições importantes na linha de frente, como médico, profissionais de enfermagem e analista tributária.

O iG  fez levantamento detalhado sobre os servidores punidos pela medida administrativa, os órgãos que ocupam na  máquina pública federal e os prazos de afastamento que foi determinado nas portarias publicadas no DOU:

Médico vinculado ao Ministério da Saúde, no Rio de Janeiro. Ele recebeu suspensão de 37 dias, nos termos da Portaria nº 1.890.

Servidor suspenso por fraudar vacinação
Reprodução/DOU (editado por IA)
Servidor suspenso por fraudar vacinação


Auxiliar de enfermagem no Ministério da Saúde, no Rio de Janeiro. Ela recebeu pena de 47 dias de suspensão, conforme a Portaria nº 1.893 (veja o nome na imagem abaixo).

Servidor suspenso por fraudar vacinação
Reprodução/DOU (editado por IA)
Servidor suspenso por fraudar vacinação

Professor do magistério superior na Universidade Federal Rural do Semi-Árido, no Rio Grande do Norte. Ele foi afastado do serviço público por 47 dias, estabelecidos pela Portaria nº 1.884 (veja o nome na imagem abaixo).

Servidor suspenso por fraudar vacinação
Reprodução/DOU (editado por IA)
Servidor suspenso por fraudar vacinação


Analista tributária da Receita Federal do Brasil, no Distrito Federal. Ela foi suspensa por 42 dias, segundo a Portaria nº 1.889 (veja o nome na imagem abaixo).

Servidor suspenso por fraudar vacinação
Reprodução/DOU (editado por IA)
Servidor suspenso por fraudar vacinação

Técnica em atividades médico-hospitalares que atua no Hospital das Forças Armadas, sendo lotada no Ministério da Defesa, no DF. Sua penalidade foi fixada em 37 dias de suspensão, conforme a Portaria nº 1.887 (veja o nome na imagem abaixo.

Servidor suspenso por fraudar vacinação
Reprodução/DOU (editado por IA)
Servidor suspenso por fraudar vacinação


Assistente de tecnologia da informação na Universidade Federal de Juiz de Fora, em Minas Gerais, recebeu a menor sanção do grupo, 32 dias suspenso, conforme a Portaria nº 1.886 (veja o nome na imagem abaixo).

Servidor suspenso por fraudar vacinação
Reprodução/DOU ( editado por IA)
Servidor suspenso por fraudar vacinação


A redação do iG tentou falar com as defesas de todos os servidores públicos federais que sofreram as sanções administrativa. De acordo com a lei federal, a suspensão acarreta além do afastamento temporário do cargo, na perda da remuneração durante o período determinado pelas Portarias.


Contexto do caso

No período da pandemia do Coronavírus, vários estados passaram a exigIr a comprovação da vacinação contra a doença para poder acessar espaços públicos. Inclusive o ex-presidente da República, Jair Bolsonaro, esteve na mira de investigação sobre fraude no cartão de vacinação da Covid-19.

Na época, a investigação administrativa conduzida pela CGU deu origem a uma operação da Polícia Federal que resultou na prisão do ex-ajudante de ordens Mauro Cid e na apreensão de seu telefone celular.

A perícia no aparelho revelou elementos que embasaram investigações posteriores, incluindo o caso das  joias da Arábia Saudita que Bolsonaro ganhou de presente e o caso da tentativa de golpe de Estado.

Em março deste ano, porém, o  ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), arquivou o inquérito que investigava Bolsonaro por suposta fraude no cartão de vacinação.

A decisão se embasou no parecer da Procuradoria-Geral da República, que concluiu não haver provas suficientes para confirmar a versão apresentada por Mauro Cid sobre a participação do ex-presidente na inserção dos registros falsos.


    Compartilhar
    Comentários
    Clique aqui e deixe seu comentário!

    Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

    Mais Recentes