A 7ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio negou, na tarde desta terça-feira, um pedido de habeas corpus apresentado pela defesa da delegada Adriana Belém . Alvo da Operação Calígula, realizada pelo Ministério Público do Rio contra redes de azar, a policial está presa desde o dia 10 de maio, quando quase R$ 1,8 milhão em espécie foram apreendidos no apartamento dela, em um prédio de luxo na orla da Barra da Tijuca, na Zona Oeste da cidade.
A decisão foi dividida, por 2 votos a 1. O único voto favorável à concessão de liberdade para a delegada foi o do desembargador Siro Darlan, que criticou o que chamou de "espetacularização" da operação que prendeu Adriana. "Para saber a origem desse dinheiro, precisa humilhar a pessoa?", questionou o magistrado ao se posicionar.
Advogada da policial, Luciana Pires afirmou ao GLOBO que irá apresentar um novo pedido de habeas corpus nos próximo dias. Desta vez, a medida será impetrada junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), última instância cabível antes de o caso chegar ao Supremo Tribunal Federal (STF).
O dinheiro encontrado na casa da delegada estava em sacos de grifes famosas e dentro de uma mala de viagem em um closet. De acordo com o divulgado pelo Ministério Público à época, o montante surpreendeu os promotores, e foi preciso levar máquinas para contar todas as cédulas.
A Operação Calígula também colocou outro delegado atrás das grades: Marcos Cipriano, que vinha atuando como conselheiro da Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Rio (Agenersa). A indicação para a agência foi aprovada na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) em agosto do ano passado.
Adriana Belém esteve por anos à frente da 16ª DP (Barra da Tijuca). Ela entregou a titularidade da distrital em janeiro de 2020, um dia depois de o chefe do Setor de Investigações (SI) da delegacia, o inspetor Jorge Luiz Camilo Alves, ser preso na operação Os Intocáveis II.
Ao ser presa, a delegada estava ocupando um cargo de assessora na Secretaria municipal de Esportes do Rio, mas acabou exonerada.
De acordo com o Ministério Público, os denunciados na Operação Calígula atuavam em uma rede de jogos de azar comandada pelo bicheiro Rogério de Andrade e pelo PM reformado Ronnie Lessa e acobertada por policiais. Lessa é réu pela morte da vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes.
Segundo as investigações, a delegada Adriana Belém, ainda lotada na 16ª DP, e o inspetor Jorge Luiz Camilo Alves teriam encontrado com Ronnie Lessa a pedido de Cipriano.
O objetivo da reunião seria viabilizar a retirada em caminhões de quase 80 máquinas caça-níquel apreendidas em casa de apostas da organização criminosa, tendo o pagamento da propina sido providenciado por Rogério de Andrade.
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