Professor de artes, Marcelo Faleiro, é acusado de assédio por alunas
Reprodução
Professor de artes, Marcelo Faleiro, é acusado de assédio por alunas

Mais de 30 alunas e ex-alunas do professor de artes Marcelo Faleiro, de 43 anos, o acusam de assédio sexual dentro das dependências da Escola Estadual Caetano Belloni em novas denúncias pelas redes sociais. O professor já havia sido denunciado pelo crime no início desta semana, após uma aluna chegar em casa chorando depois de ter voltado do colégio, em São João de Meriti (RJ). Segundo a Polícia Civil, quatro jovens já registraram boletins de ocorrência relatando os abusos. Muitas deles não formalizaram os depoimentos na Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam), que investiga o caso, por medo e vergonha.

As novas acusações apontam que Marcelo já teria beijado à força uma aluna e tentava cercar outra no corredor da escola. Muitas denúncias apontam que o docente tinha o costume de alisar o corpo e os seios das adolescentes.

Um grupo foi criado nas redes sociais e nomeado "Tira o Marcelo da escola", para reunir vítimas do professor de artes e apoiadores das meninas. Lá, as adolescentes tornam públicas as ações que sofreram. Nele, há 101 integrantes e grande parte alega ser vítima de assédio.

Em um relato, uma das adolescentes diz que Marcelo deu um beijo forçado em sua boca. "Ele me agarrou e enfiou a língua na minha boca, eu virei o rosto, mas ele me agarrou", disse. O DIA apurou que mais duas alunas dizem que o homem tentou beijá-las forçadamente.

Já outra vítima diz que o professor sempre insinuava que queria ser seu namorado, além de fazer elogios a partes de seu corpo. "(Ele) fica me alisando toda vez que me vê, e fica falando que adoraria me ter como namorada. Fora que ele também já disse que minha bunda deveria ser uma delícia", conta.

Segundo outro relato, Marcelo parou uma de suas alunas no corredor do auditório da escola, a cercou e "propôs casamento". "Ele falou: 'casa comigo, não precisa você responder, formamos um casal lindo'". Dias depois, ele teria passado a mão nos seios da menina.

Numa publicação no Twitter, uma ex-aluna narrou que, em 2016, uma colega de escola havia prestado queixa contra o professor com denúncias bem parecidas com as atuais e, mesmo com a polícia envolvida, ele voltou a lecionar na unidade escolar.

Assédio dentro e fora de colégio

Os relatos não param por aí. Fora do colégio, Marcelo também assediava as alunas por meio das redes sociais. Em outra denúncia, ele aparece perguntando o motivo de não estar mais vendo a aluna e a pergunta se está chateada com as atitudes dele. No decorrer da conversa, a convida para sair. Em outra rede social, Marcelo aparece pedindo para enviar um vídeo da adolescente para outra pessoa.

Uma das primeiras vítimas alega ter pedido ao professor a senha do wi-fi do colégio, perguntando se Marcelo poderia fornecê-la, e foi assediada em seguida. "O que você vai me dar em troca? Quero um beijo", teria dito ele. Ainda há denúncias de que ele chamava as alunas para sair constantemente, as convidando para entrar em seu carro. Uma das estudantes contou que o professor chegou a convidá-la para almoçar em sua casa, mesmo sendo casado.

Desde o ocorrido, o professor de artes desativou todas as suas redes sociais, além de deixar um "recado" por meio de sua foto de perfil no Instagram antes de apagar a própria conta: "Calúnia é crime! Os responsáveis pagarão". Além disso, até o momento, seu telefone está desligado e seu paradeiro é desconhecido.

Leia Também

Uma das vítimas declarou que levou o problema para a direção da escola, e ressaltou que a diretora da unidade havia defendido o assediador. A direção da escola foi procurada para prestar esclarecimentos, mas até o momento da publicação desta matéria ainda não se pronunciou. Em nota enviada na última quarta (13), a instituição alegou que não estava a par do que acontecia dentro da sala de aula e não foi autorizada pela Secretaria Estadual de Educação (Seeduc) a falar sobre as denúncias.

A Secretaria informou que a investigação está dentro do prazo de 30 dias para esclarecer todos os fatos. Ao final, o relatório será entregue à corregedoria da pasta. O docente terá direito à defesa e, por último, será submetido à Assessoria Jurídica da Seeduc para decidir se caberá penalidade ao professor, que poderá ser desligado da rede.

A Polícia Civil informou que a ocorrência foi registrada na Deam de São João de Meriti e a investigação está em andamento para esclarecer os fatos, mas não respondeu aos questionamentos sobre as atualizações do caso até a publicação da matéria.

O professor foi suspenso preventivamente da unidade escolar e também foi chamado à Diretoria Regional de São João de Meriti para prestar esclarecimentos, mas não compareceu na data marcada. A investigação segue à revelia.

Relembre o caso

Na última segunda-feira (11), uma aluna, de 14 anos, teria chegado em casa chorando após a aula, relatando ter sofrido assédio sexual cometido pelo professor. "Eu saí pra pegar uma caneta, ele me cercou no corredor e falou que eu era muito bonita, que era um casal bonito (sic), e ficou mordendo a boca. Ontem era aula dele, a gente começou a cantar, do nada parou na minha mesa e passou a mão no meu peito. Ai os meninos começaram a gritar", disse a estudante.

Após o relato, a mãe da adolescente foi até a escola denunciar o professor e logo depois se encaminhou à Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam). "Como fica com o psicológico da minha filha agora? Não posso ficar calada", disse ela.

Nesta terça-feira (12), o Conselho Tutelar se reuniu com a direção do colégio, responsáveis e alunos para ouvir os relatos de assédio. Depois da reunião, foi realizado um protesto na porta da instituição.

Nas redes sociais, os alunos expuseram as mais diversas situações em que o homem teria os exposto, inclusive, em uma das publicações, aparece um vídeo em que o professor de artes Marcelo Faleiro aparece chamando dois alunos adolescentes para brigar fora da escola. Depois da situação, Marcelo foi embora e não retornou à instituição.


    Veja Também

    Mais Recentes

      Comentários