Estudo: Morar com donos de armas aumenta risco de morte por homicídio
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Estudo: Morar com donos de armas aumenta risco de morte por homicídio

Embora algumas pessoas acreditem que ter uma arma em casa pode deixá-las mais seguras, um estudo de pesquisadores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, descobriu uma realidade bem diferente. Recém-publicados na revista científica Annals of Internal Medicine, os resultados revelaram que a incidência de homicídios é mais de duas vezes maior entre pessoas que vivem com proprietários de armas de fogo. Os responsáveis destacam que o risco é ainda maior entre as mulheres.

Para chegar à conclusão, os pesquisadores acompanharam 17,6 milhões de moradores da Califórnia, estado americano, com mais de 21 anos. No país, a posse de armas é permitida pela legislação. Os participantes tiveram suas informações monitoradas durante um período de 12 anos – entre 2004 e 2016. Os critérios analisados foram homicídios no geral e aqueles que aconteceram dentro de casa.

Os cientistas descobriram que morar com proprietários de armas eleva em mais de duas vezes o risco de morte por homicídio de qualquer modo. Mas, quando se trata de assassinatos causados especificamente por uma arma, a diferença chega a ser quase três vezes maior. Entre as pessoas que começaram a viver com donos de armas durante o estudo, dois terços eram mulheres, e elas foram desproporcionalmente impactadas pela realidade, afirmam os cientistas da Universidade de Stanford.

Isso porque em relação a homicídios que ocorreram dentro das casas, cometido por alguém da família, como maridos ou esposas, o risco para pessoas que viviam com donos de armas de fogo foi mais de sete vezes maior. Só que entre as vítimas desse tipo de assassinato, 84% foram mulheres.

Os pesquisadores observaram ainda que as pessoas que moravam com uma arma de fogo dentro de casa não tiveram taxas menores de fatalidade por homicídios provocados por terceiros que invadiram a residência, revelando que a posse do instrumento não promoveu a maior segurança que é alegada pelos proprietários.

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"Uma pequena minoria de homicídios envolveu vítimas mortas por estranhos em casa, e coabitantes de proprietários de armas de fogo não sofreram tais ataques fatais em taxas mais baixas do que seus vizinhos em casas sem armas", escreveram os responsáveis pelo estudo.

Eles defendem que as descobertas se juntam a uma série de outras evidências que confirmam os riscos elevados de homicídio para pessoas com armas dentro de casa, e citam ainda o aumento no índice de suicídios ligados ao artefato.

"Homicídios e suicídios são responsáveis por 97% das quase 40.000 mortes por armas de fogo nos Estados Unidos a cada ano. Se a posse de armas de fogo aumentasse a segurança pessoal de outras maneiras, como muitos proprietários de armas supostamente acreditam, tolerar algum risco elevado de suicídio poderia ser considerado uma troca que valeria a pena. Porém, este estudo aumenta as evidências de que não existe essa compensação, porque uma arma em casa está associada a um risco maior – não menor – de agressão fatal", escreveram os cientistas.

Um questionário do Centro de Pesquisa Pew, de junho de 2021, mostrou que quatro a cada dez adultos nos Estados Unidos dizem viver numa residência com uma arma de fogo, e três afirmam que são proprietários do instrumento – a maioria homens.

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