Carlos Alberto da Cunha, conhecido como Delegado Da Cunha
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Carlos Alberto da Cunha, conhecido como Delegado Da Cunha

Um boletim de ocorrência feito em 2016 pela ex-mulher do  Delegado Da Cunha registra que, Camila Rezende da Cunha, de 44 anos, sofreu ameaças de morte pelo delegado e youtuber. “Olha bem no meu olho. Se você pedir para eu falar baixo mais uma vez, eu vou dar um tiro no meio da sua testa”, disse Da Cunha à sua ex-esposa Camila, segundo consta no boletim. 

A advogada Camila Rezende da Cunha, procurou a Polícia Civil de São Paulo há 5 anos atrás para registrar que sofria violência doméstica do até então marido, Delegado Da Cunha. Segundo o documento, a ameaça aconteceu em um restaurante e na frente da filha do casal, que tinha 3 anos na época.

Carlos Alberto da Cunha, de 43 anos, o Delegado Da Cunha, ganhou fama publicando vídeos de operações.  Atualmente, Da Cunha está afastado do cargo. Ele diz estar sendo perseguido pela cúpula da instituição por defender uma polícia menos agressiva e por respeitar todas as pessoas. 

Segundo relato de Camila que consta no boletim, o episódio do restaurante não teria sido a primeira vez que era ameaçada pelo marido. No documento, ela pedia medidas protetivas urgentes e temia por sua integridade física.

“Por volta das cinco horas [da madrugada], o autor lá esteve [em frente à casa da mãe de Camila] e, aos gritos, pedia para que a vítima saísse para conversar com ele. Telefonou inúmeras vezes para o celular da vítima, enviou inúmeras mensagens, inclusive áudios, ameaçando-a, dizendo que ela deveria sumir, porque ele iria matá-la”, diz parte do boletim de ocorrência de ameaça, injúria e perturbação ao sossego alheio.

Camila foi procurada pela Folha e negou ter sofrido violência doméstica ou psicológica do hoje ex-marido. "Sou muito amiga do Carlos Alberto. Tivemos um relacionamento de marido e mulher durante 11 anos, tivemos briga de casal, sim, mas ele foi um bom marido, é um excelente pai. Isso [a violência] não é verdade, tanto que teve uma ação judicial que não deu em nada. Foi uma briga de casal normal", afirmou.

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Entretanto, um processo judicial de 2014 coloca as ações de Da Cunha novamente em dúvida. Segundo o processo que prosseguiu em São Paulo, no dia 11 de setembro de 2014, vizinhos do casal presenciaram Da Cunha agredindo a advogada Camila no meio da rua, no bairro de Aparecida, em Santos. Durante a briga, ele teria disparado uma arma de fogo.

Bianca Laino, moradora do bairro de Aparecida, testemunhou a agressão que, segundo ela, aconteceu depois das 23h. O homem estava agredindo a mulher, no meio da rua, “com vários socos, sem a mulher reagir”. Durante as agressões, ainda segundo a testemunha, o agressor xingava a mulher de vagabunda, puta e prostituta. “Entra no carro que vou te matar”, disse o policial, segundo Laino.

Monise Inque, outra testemunha, disse à Justiça que se assustou com a cena e ao se afastar do local, ouviu um disparo de arma de fogo. A estudante também relatou que as agressões foram com socos.


Policiais militares foram acionados e chegaram a tempo de impedir que Camila entrasse dentro do carro. Da Cunha, segundo a policia, havia colocado a arma ao chão (uma pistola 9 mm) ao avistá-los, dizendo-se delegado e que havia disparado acidentalmente. A então mulher do delegado na época, fugiu assim que o marido a soltou.

Da Cunha foi detido e justificou que o disparo foi acidental, quando bateu a arma sobre o teto do carro na discussão com Camila. O argumento prevaleceu na Justiça, e o delegado foi absolvido. Carlos Alberto da Cunha foi punido com advertência pela ocorrência de setembro de 2014, mas a decisão da pena acabou prescrevendo. Para o caso de 2016, não houve punição.

Em conversa com a Folha , o delegado negou que tenha praticado violência doméstica contra a ex-mulher. Ainda, declarou que até as versões de testemunhas foram inventadas, por motivos desconhecidos. “Por isso atesto categoricamente em resposta às suas perguntas que tal alegação de violência doméstica é mentirosa”, disse por email.

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