Após Brasil superar 4 mil mortes por Covid, Bolsonaro ironiza termo 'genocida'

Para apoiadores, presidente voltou a criticar medidas restritivas e citou, incorretamente, que São Paulo tem mais mortes proporcionalmente

Foto: Marcos Corrêa/PR
Após Brasil superar 4 mil mortes por Covid, Bolsonaro ironiza termo 'genocida'

No dia em que o Brasil registrou pela primeira vez mais de 4 mil mortes por Covid-19 em 24 horas,  o presidente Jair Bolsonaro voltou a criticar as medidas restritivas adotadas por alguns estados para conter a transmissão da doença e ironizou o termo "genocida", utilizado por alguns oposicionistas para caracterizar sua atuação.

As declarações foram feitas pelo presidente durante conversa com alguns apoiadores que o esperavam na saída do Palácio do Planalto nesta terça-feira. Na conversa, Bolsonaro lembra que seus críticos já o classificaram no passado como homofóbico, racista, fascista e torturador e agora colocaram a alcunha de genocida, termo que significa "aquele que causa a morte de um grupo numeroso de pessoas em pouco tempo."

"Agora... agora é o quê? Agora eu sou aquele que mata muita gente, como é que fala? Genocida! Agora eu sou genocida", riu o presidente.

Assista na íntegra a seguir:


Nesta terça-feira, o Brasil registrou pela primeira vez desde o início da pandemia mais de 4 mil mortes em um dia: foram 4.211 óbitos. Desde o início de março, o sistema de saúde de todo o país se aproxima do colapso, com pessoas morrendo sem conseguirem transferência para leitos de terapia intensiva. Há duas semanas, o Brasil atingiu outra marca trágica na pandemia, ao ter mais de 3 mil mortes em um único dia.

No encontro com apoiadores, Jair Bolsonaro ouviu relatos de apoiadores que defenderam a postura do presidente durante a pandemia. O presidente desde o início do surto do novo coronavírus tem criticado medidas restritivas, como o fechamento do comércio.

Um dos apoiadores, que disse ser empresário do estado de São Paulo, relatou as dificuldades no estado após o decreto do governador João Doria (PSDB), que suspendeu o funcionamento de serviços não-essenciais na tentativa de segurar o aumento de casos. Ao presidente, ele disse que "acabaram com o estado de São Paulo". Bolsonaro, então, respondeu que "uma pessoa" teria acabado com o estado.

Para criticar as medidas, o presidente citou uma suposta pesquisa que já compartilhou nas redes sociais, que indicam que aqueles que praticam atividades físicas são oito vezes menos propensos a ter problemas causados pela Covid-19. Segundo o presidente, o isolamento poderia causar outros problemas piores que a doença como, por exemplo, hipertensão.

"Tem uma pesquisa recente, parece ser verdadeira, que quem tem uma vida saudável, é oito vezes menos propenso a ter problemas com a Covid. Quando você prende o cara em casa, duvido que não aumentou um pouco de peso. Até eu aumentei um pouco a barriga", disse Bolsonaro.

O presidente afirmou que São Paulo é o estado que mais fecha o comércio, mas que é o que tem o maior número de mortes proporcionalmente.

A informação, contudo, é falsa. Em números absolutos, São Paulo tem o maior número de mortes por coronavírus, mas não proporcionalmente. O estado registrou 166 óbitos por Covid-19 a cada 100 mil habitantes.

Entretanto, nove estados têm uma taxa maior que São Paulo, segundo o sistema MonitoraCovid, da Fiocruz, como o Rio de Janeiro, o Amazonas e o Distrito Federal.