Dado Villa-Lobos, guitarrista da Legião Urbana
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Dado Villa-Lobos, guitarrista da Legião Urbana

Guitarrista da Legião Urbana, Dado Villa-Lobos se mostrou indignado com a apreensão, no Rio, num depósito utilizado pela gravadora Universal Music, de 91 fitas que incluem as masters dos LPs gravados pela banda .

Segundo a Polícia Civil, que executou a ação, eles contêm material inédito do líder do grupo, Renato Russo (1960-1996), que seriam entregues ao seu filho e herdeiro, Giuliano Manfredini.

"É claro que eu tenho a anuência da utilização daquilo, não pode fazer qualquer coisa, mas eles são donos daquele fonograma e eles têm que preservar isso", protestou o guitarrista , em entrevista ao Globo, lembrando que as fitas pertencem, por acordo de cessão de direitos fonográficos, à gravadora Universal Music.

Preservação das fitas

Procurada por O Globo, a Universal Music Brasil disse que não vai se pronunciar sobre o caso.

Dado Villa-Lobos, por sua vez, afirmou ter entrado em contato com a presidência da gravadora para relatar sua insatisfação com a ação policial.

"Não consigo entender como um delegado, a polícia se prestam a isso, estão quebrando um contrato mundial. Alguma coisa tem que ser feita. Isso não é um arquivo qualquer, é o arquivo da Legião Urbana, que eu acredito ter um valor muito grande para a cultura musical do Brasil, para os brasileiros que cresceram ouvindo isso", declarou.

Dado diz temer pela conservação das fitas , boa parte delas com mais de 30 anos.

"A Iron Mountain tinha as condições climáticas de desumidificação para preservar as fitas magnéticas. Não consigo entender como é que a minha obra é tirada dali e vai parar nas mãos da polícia . Eu estou dando como perdido esse material, ele é parte da nossa vida e agora vai apodrecer", disse.

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Originais e sobras de estúdios

O guitarrista garante que nada está sendo escondido (nem por ele, nem pelo produtor Marcelo Fróes) do herdeiro de Renato Russo.

"A EMI contratou Marcelo Fróes para digitalizar todas as fitas e ele fez um relatório completo, que foi entregue a mim, à família, a todo mundo. Ninguém está querendo esconder nada de ninguém. Já acionei meus advogados deixando claro que eu não vou autorizar [ o lançamento de]  absolutamente nada do que vai sair dali se a companhia não tiver de volta esse material, que é da Legião Urbana e da Universal", relatou.

Dado diz ainda que, para comemorar o aniversário de 30 anos do álbum “Dois” (1986), da Legião, ele e o baterista Marcelo Bonfá tentaram lançar algumas sobras de estúdio das gravações do disco , "que são incríveis".

"Tem a gente tocando 'Juízo final', do Nelson Cavaquinho; 'O grande inverno da Rússia', uma instrumental que a gente tinha gravado na época; uma versão de 'Fábrica' em inglês... e o menino [Giuliano] não autorizou, foi difícil", reclama.

Entenda o caso

Batizada de Tempo Perdido (canção do grupo de Renato, a Legião Urbana), a ação que apreendeu as fitas, coordenada pelo delegado Maurício Demétrio com policiais da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM) é a continuação da Operação Será, que em outubro foi atrás de material inédito que estaria de posse de produtores musicais que trabalharam com Renato Russo.

Na ocasião, a polícia foi à casa do pesquisador Marcelo Fróes, amigo de Renato Russo, ex-representante artístico da sua família junto à gravadora EMI e produtor de três álbuns póstumos seus.

Agentes apreenderam HDs, computador e celular de Fróes e alegaram ter encontrado um relatório que daria conta da suposta existência de pelo menos 30 músicas em versões inéditas gravadas pelo artista, morto em 1996. Este relatório foi utilizado como base para a operação realizada nesta quarta-feira (9).

Segundo o pesquisador, em entrevista ao Globo, a apreensão não fazia o menor sentido, já que o tal relatório teria sido entregue por ele, em 2003, à família de Renato, à banda e à EMI, gravadora da Legião Urbana. Dias depois da apreensão, ele prestou depoimento na DRCPIM, na condição de testemunha.

A Operação Será teve sua origem em acusações relatadas em notícia-crime de 2016 por Giuliano Manfredini, na época referentes a Ana Paula Ulrich Tavares, pseudônimo que o fã Josivaldo Bezerra da Cruz Junior usava para ser um dos administradores da página Arquivo Legião no Facebook. Ele era investigado por “tentativa de estelionato, violação de direito autoral e, possivelmente, receptação”, relativos a material inédito de Renato Russo.

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