Padre Julio Lancelotti na Cracolândia
Futura Press
Padre Julio Lancelotti

O padre Julio Lancelotti disse que o arrastão registrado na Cracolândia , no Centro de São Paulo  nesta terça-feira (08) , aconteceu após ação da Guarda Civil Municipal (GCM) na região. De acordo com Lancelotti, o tumulto começou depois que os guardas-civis impediram que os usuários de droga ficassem sob a marquise da Estação Júlio Prestes para se proteger da chuva de granizo que atingia o bairro. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo .

O relato do padre contraria a versão oficial, de que a confusão teria começado porque os dependentes químicos agrediram os GCMs. O arrastão foi filmado por testemunhas que estavam no local , mas Lancelotti afirma que "o que está sendo divulgado é só uma parte da narrativa".

"Quando começou a chuva, muitos procuraram proteção na marquise da Júlio Prestes, mas a GCM atacou para que eles não entrassem", disse o padre, que atua no acolhimento de moradores de rua, alguns frequentadores da Cracolândia.

Em seu perfil das redes sociais, ele publicou um vídeo que reforçaria a versão, mas não flagra o suposto ataque da GCM. As imagens mostram guardas-civis protegendo a Estação, que fica perto do "fluxo", onde os usuários de drogas se concentram. Ao fundo, é possível ouvir o som aparentemente de bomba.


O padre disse que, para ele, o acontecimento não justifica o ataque contra motoristas, mas precisa ser considerado na busca por soluções. "O tratamento violento gera resposta violenta. Precisamos entender por que chegamos a um ponto tão dramático", disse ao Estadão. "Chama atenção que a Polícia Militar estava a 100 metros do local do arrastão. Pessoas eram atacadas e havia um crime acontecendo. Por que não interveio?".

Atuação "rápida" da PM

O secretário executivo da PM, coronel Alvaro Batista Camilo defende que a atuação foi "rápida", por mais que os policiais não tenham conseguido pegar os criminosos em flagrante. Nesta quarta (09), um inquérito foi instaurado para identificar os autores, de acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP).

"A polícia já está capilarizada e, quando foi acionada, rapidamente colocou ordem. Entre o começo da ação e tudo ser restabelecido, durou cerca de 20 minutos", disse. "O arrastão não visava as pessoas e ninguém ficou ferido. Eles queriam os bens, principalmente celular, para trocar por drogas."

Ainda, o coronel disse que o efetivo policial e o patrulhamento direto também foram reforçados na região. "O problema da Nova Luz é complexo. Se fosse simples, já estava resolvido", afirmou Camilo. "Não é um problema só de polícia, precisa de um trabalho conjunto da área de Assistência Social e de Saúde no tratamento e acolhimento dessas pessoas."

GCM contesta versão de padre

A Secretaria de Segurança Urbana, responsável pela GCM, disse, em nota, que o "fluxo" havia sido transferido da Rua Dino Bueno para a Alameda Cleveland, por causa da retirada de materiais de demolições em uma quadra da região. "A ação foi informada e combinada previamente", afirmou.

A pasta contesta a versão dada por Lancelotti. "A GCM iniciou a operação, que ocorria dentro da normalidade, no entanto, um grupo de frequentadores passou a arremessar pedras, paus e outros objetos na direção dos agentes públicos. A injusta agressão precisou ser contida para preservar a segurança de todos na região". Além disso, segundo a pasta, a GCM "reforçou o policiamento fixo" e "intensificou as rondas".

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