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Felipe Lima Gomes, de 18 anos, confessou para Polícia Civil que atirou acidentalmente em Kauã


O Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), por meio da 3ª Vara Criminal da Capital, determinou, nesta quinta-feira (23), a prisão preventiva de Felipe Lima Gomes, o Panelinha, de 18 anos. Ele estava em prisão temporária, de 30 dias, desde o último dia 27. Na ocasião, ao lado da mãe, ele se entregou à polícia e confessou ser o autor do disparo que matou o menino Kauã Vitor da Silva , de 11 anos, na Vila dos Pinheiros, no Complexo da Maré, na madrugada do dia 25. Gomes alegou que o tiro foi acidental.


Segundo a denúncia do Ministério Público, Felipe atuava como "perímetro" para os traficantes do local , monitorando a área e emitindo alertas caso facções rivais ou forças policiais estivessem por perto. Ainda segundo a denúncia, Kauã tinha saído de casa para buscar água para a mãe quando foi atingido. Ele foi socorrido e levado a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), mas morreu enquanto era transferido para o Hospital Souza Aguiar.

"Há, portanto, justa causa para a admissão da acusação , sendo certo que, no bojo do processo, à luz dos princípios do contraditório e da ampla defesa, poderão ser confirmadas, ou não, as acusações dirigidas aos denunciados", destaca a decisão do juiz Alexandre Abrahão.

O jovem já tinha outras quatro passagens na polícia por furto. Em seu parecer, Abrahão destaca a suspeita de que Gomes integre uma organização criminosa e afirma que ele só decidiu se entregar após ver as notícias sobre a morte de Kauã.

"Bastam estes argumentos para, em meu sentir e de forma concreta, dar como certo o risco à garantia da ordem pública, especialmente porque a pacificação da sociedade, tanto quanto possível deve ser tentada a todo custo. Acrescente-se a relevância das testemunhas que serão ouvidas em futuro próximo na fase de admissibilidade aqui iniciada. Merecem, ditas pessoas, o máximo de blindagem possível para que possam narrar o ocorrido com paz e isenção", conclui.

Relembre o caso

Kauã levou um tiro na cabeça na madrugada do dia 25 de junho, na porta de casa, no Complexo da Maré. Inicialmente, a família suspeitava que um tiro acidental tivesse sido disparato por um menino de 12 anos, que teria sido cooptado recentemente para atuar como olheiro do tráfico.

Uma tia da vítima relatou, em depoimento, que esse suposto atirador era conhecido e teria encontrado Kauã quando ele saiu de casa, mas ela não presenciou o crime. A DH, inclusive, chegou a investigar a informação de que o garoto autor do disparo foi morto por traficantes locais após o crime.

O inquérito foi concluído no último dia 14 . Além de indiciar Gomes por homicídio qualificado , a DH indiciou pelo crime de homicídio doloso o chefe do tráfico da Maré, Thiago da Silva Folly, conhecido como TH, que segue foragido. A Polícia Civil afirmou, à época, ter desistido de realizar perícia e reprodução simulada do caso por orientação do governo do estado, em virtude de decisões judiciais que impedem operações policiais e uso de helicópteros em comunidades durante a pandemia do coronavírus.

O menino foi atingido à queima-roupa por uma pistola de calibre 380. Para um dos investigadores do caso, é praticamente impossível que uma arma como esta destrave ao cair e dispare um tiro.

"É muito difícil de acontecer com uma arma dessa ter algum tipo de problema. Ele disse que a arma caiu e disparou sozinha. Mas essa história de que a pistola caiu é mentira . É uma tese do advogado pra tentar atenuar a pena dele", comentou.

Um dia após perder um dos três filhos, a ambulante Alexandra Silva, de 25 anos, disse que teve a vida destruída . "Não estou em condições de falar. Minha vida foi destruída e nada do que eu disser vai adiantar. Não vai trazer meu filho de volta", desabafou Alexandra.

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