Dirigente municipal rebateu afirmação do governador de que PBH não investiu em UTI's e disse que o estado 'não o deixa trabalhar em paz'
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Dirigente municipal rebateu afirmação do governador de que PBH não investiu em UTI's e disse que o estado 'não o deixa trabalhar em paz'

O secretário de Saúde de Belo Horizonte, Jackson Machado Pinto, criticou duramente o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) após o chefe do executivo estadual falar que a cidade deixou a desejar no combate à pandemia da Covid-19.

Na quarta-feira (1°), Zema disse que a Belo Horizonte "não fez o papel esperado" na abertura de novos leitos de UTI.

"Eu não poderia deixar de passar a minha perplexidade com a postura de agressão gratuita que Belo Horizonte tem sofrido por parte do governador do estado de Minas", afirmou Pinto em entrevista à CNN Brasil. Segundo o secretário, a capital aumentou em mais de 400% a quantidade de leitos.

"Saímos de 296 leitos em março, sendo 82 de UTI e 114 de enfermaria, para 331 de UTI e 798 de enfermaria. Saímos de 296 para 1.129, e obviamente vamos comprar outros leitos na medida da necessidade", disse o secretário.

O dirigente mencionou ainda o repasse de equipamentos de respiração e ventilação pulmonar pelo governo estadual. "Queria dizer que o governador disse que comprou mais de mil respiradores. BH recebeu, destes, apenas 27 – e todos foram para o Hospital Eduardo de Menezes (que pertence à FHEMIG - Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais, órgão vinculado ao governo de Minas). Nenhum outro hospital recebeu sequer um respirador ou ventilador do governo do estado", argumentou.

Minas Gerais tem visto nos últimos dias um aumento da tensão entre a gestão estadual e a administração municipal de Belo Horizonte, que tem o prefeito Alexandre Kalil (PSD) à frente. Zema já havia criticado Kalil por manter um isolamento social mais rigoroso na capital.

"Eu queria entender qual a razão de o governador demonstrar tanto ódio pela população de Belo Horizonte. A população de Belo Horizonte é tão mineira quanto os outros mineiros e esse ódio seria fomentado pelas ratazanas da política ou da politicagem, pelos parasitas da pandemia que só querem auferir ganhos políticos às custas do sofrimento alheio?", questionou Pinto.

Na avaliação de Machado Pinto, os repasses da gestão Zema ao município foram incipientes, análise calcada na comparação com a ajuda concedida pelo governo federal no mesmo período. "Do ponto de vista financeiro, BH recebeu R$ 168 milhões do Ministério da Saúde. Já do governo do estado, recebeu a irrisória quantia de R$ 686,6 mil. Então, tudo o que Belo Horizonte conseguiu até agora foi sem ajuda do governo do estado", concluiu.

"Queria saber porque o governador não nos deixa trabalhar em paz. Queria convocar o governador a olhar para o belorizontino assim como ele tem dito que olha para o resto do estado", acrescentou o secretário.

Segundo balanço da Secretária de Saúde municipal,  a capital mineira havia registrado 144 mortes causadas pela Covid-19, além de 6.571 casos confirmados da doença. Os leitos de UTI dedicados a pacientes do novo coronavírus tinham 85% de ocupação, enquanto os de enfermaria tinham 69% das vagas ocupadas.

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