Droga viria da Bolívia até o Brasil, e depois seguiria para a Espanha
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Droga viria da Bolívia até o Brasil, e depois seguiria para a Espanha

Uma investigação do Ministério Público Federal e da Polícia Federal detectou a utilização do porto de Suape, em Pernambuco, como rota do tráfico de cocaína produzida na Bolívia e destinada à Espanha.

Com base nessas informações, o MPF denunciou na semana passada oito pessoas envolvidas no esquema, por crimes relacionados ao tráfico de drogas. A droga seria transportada por navio acondicionada em latas de alumínio.

A investigação começou em 22 de abril, quando a PF recebeu a informação de que um avião partiria de Goiânia para o município de Igarassu, na região metropolitana do Recife, com um carregamento de cocaína.

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Os policiais realizaram uma campana e prenderam em flagrante os responsáveis pelo transporte da droga. A aeronave transportava 650 kg de cocaína. A droga seria levada para o porto de Suape, de onde seria enviada à Espanha.

"Os delitos ora denunciados foram praticados e engendrados por uma associação criminosa transnacional ainda não totalmente desvelada, que conta com ramos ou atuação, pelo menos, na Bolívia, no Brasil e na Espanha", diz a denúncia movida pelo Procuradoria da República em Pernambuco contra os envolvidos.

Ainda está sob investigação a ligação do grupo com outras pessoas ou com eventuais facções criminosas.

Uma mulher presa como integrante do grupo, citada pelo MPF como "laranja" e secretária do esquema, tinha em sua posse uma agenda na qual ficaram registradas as movimentações do grupo para a Bolívia para acertar o transporte da droga.

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As anotações apontam que a droga sairia da cidade boliviana de Puerto Suárez até Santa Cruz de La Sierra, também na Bolívia, de onde sairia com o carregamento de cocaína.

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"Saindo da Bolívia, a primeira aparição documentada da aeronave de prefixo PT-MEK no Brasil deu-se em Goiânia/GO, cidade que, por sua proximidade com o país andino e infraestrutura, é largamente utilizada como entreposto de escoamento de cocaína boliviana", descreve a denúncia.

No percurso, eles pararam em aeroportos desativados e pistas de pouso clandestinas, até chegar ao destino final, o aeródromo Coroa do Avião, no município de Igarassu, na região metropolitana do Recife. Chamou atenção dos investigadores, no momento da apreensão, a estrutura robusta do grupo.

Além de uma grande quantidade de pessoas envolvidas, seis veículos estavam à espera da chegada do avião para atuar no transporte da droga, incluindo dentre eles um micro-ônibus.

Um dos motoristas de um desses veículos foi interrogado pela PF e confirmou que foi contratado "para dirigir um Ford Ecosport dentro de um comboio para transportar um 'material'", com um pagamento acertado de R$ 15 mil.

Segundo a denúncia do MPF, "todos os participantes do comboio receberiam um telefone celular novo para se comunicarem durante o trajeto, circunstâncias já por si bastante estranhas".

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O MPF também detectou movimentações financeiras atípicas, com transferências em valores de R$ 2 milhões e R$ 2,5 milhões pelos integrantes do grupo.

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