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Materiais fundamentais contra o contágio pela Covid-19 não estão disponíveis para 40% da população mundial

Escolhido para ser o “QG” da saúde do município do Rio de Janeiro no combate ao coronavírus , o Hospital municipal Ronaldo Gazolla , em Acari, na Zona Norte, tem enfrentado nos últimos dias diversos problemas. Adversidades que vão desde funcionários infectados com a Covid-19 a falta de informação para familiares de pacientes, passando pela falta de um item essencial para a higienização do hospital: água. Há pelo menos três dias, segundo funcionários e familiares de pacientes, o abastecimento está instável. A Companhia estadual de Águas e Esgotos do Rio (Cedae), porém, nega a falta de água.

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No entanto, quem vai ao local para receber notícias de seus parentes - que estão internados com o novo vírus ou com suspeita - diz o contrário dos órgãos oficiais. Com o marido em estado grave na unidade, a técnica de enfermagem Rosicleia Severino da Silva Pinto, de 45 anos, conta que "não há mínima higienização do local e que não há água nos banheiros e nem nos bebedouros". Desde a última sexta-feira, depois que, finalmente, Marcos Antônio de Oliveira Pinto, 48, conseguiu ser transferido da Coordenação de Emergência Regional (CER) do Centro, para o Ronaldo Gazolla, ela peregrina diariamente da Chatuba de Mesquita, em Mesquita, na Baixada Fluminense, em busca de informação do marido.

"Ele está intubado desde ontem. A gente não tem acesso a nada. Nenhuma informação. Não sabemos do prontuário, não recebemos nada. É um descaso total. Tratam os familiares dos pacientes como bicho. Não tem água que é o básico", conta a técnica de enfermagem .

Antes de Marcos Antônio, que é auxiliar de transporte aéreo, ser hospitalizado em Acari, ele - que está com os sintomas da doença desde o dia 23 de março - e a mulher peregrinaram por sete hospitais - quatro só na Baixada.

"É um descaso total. Temo pelo meu marido. Quando vamos indagar os médicos, eles começam a debochar da gente", completa Rosicleia.

Outra família que relata problemas no Hospital Ronaldo Gazolla é a da aposentada Marlene Conceição Ferreira Gomes, de 72. Mãe de quatro filhos e dez netos, a idosa - que mora em Turiaçu, na Zona Norte do Rio - saiu de casa na última terça-feira com muita dor no corpo, falta de ar e sem vontade de comer nada. Imediatamente internada no Hospital municipal Salgado Filho, no Méier, foi diagnosticado pela equipe médica da unidade que dona Marlene estava com os pulmões comprometidos e que havia a suspeitas de estar infectada pelo coronavírus. A aposentada então precisou ser isolada em uma sala do local.

"Ela foi colocada num local, que não sei se podemos chamar de isolamento, já que outras pessoas estavam juntas e a separação era feita por um lençol. Na quinta-feira, o neto dela que é policial descobriu que a minha sogra tinha sido levada para o Hospital Ronaldo Gazolla. Fizeram a transferência sem a família saber. Quando chegamos no hospital vimos a quantidade de gente na recepção, funcionárias sem proteção e um caos total", conta a nora da aposentada, a técnica de enfermagem Elaine Gomes dos Santos, 42.

Ainda de acordo com Elaine, a falta de água pode ser constatada todos os dias. Outra coisa que a preocupa é a estrutura oferecida pela Secretaria municipal de Saúde.

"Recebemos a informação dos nossos familiares, que estão internados, por um único telefone. A menina passa um álcool gel e mais nada. Ela chega com uma pilha de prontuários e vai chamando nome por nome. A gente vai ao telefone e fala com o médico . Isso tudo sem qualquer higienização, já que elas não estão com luva. O nosso medo é sermos infectados e também que os funcionários sejam", relata Elaine. "É desumano o que está acontecendo no Hospital de Acari", disse.

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A Cedae disse que o abastecimento de água por parte da concessionária está sendo realizado plenamente na localidade. “De toda forma, equipe da companhia esteve esta manhã na unidade, e funcionário do hospital informou não haver desabastecimento. Cabe informar que a administração e a manutenção dos sistemas internos de imóveis não são realizadas pela companhia”. A Secretaria municipal de Saúde ainda não respondeu as denúncias.

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