ilhados em santos
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Chuva forte causou alagamentos em Santos, litoral de São Paulo

Moradores da Baixada Santista, no litoral de São Paulo, tiveram uma madrugada de pesadelo durante o forte temporal nesta segunda-feira (2). Em Santos, estudantes ficaram ilhados na Universidade São Judas, campus Unimonte. Os que se arriscaram a voltar para a casa ficaram presos no caminho durante horas. Até o começo da tarde desta terça-feira, o Corpo de Bombeiros divulgou 46 desaparecidos em toda a região. A Defesa Civil do Estado de São Paulo registrou a morte de treze pessoas.

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A estudante de Arquitetura e Urbanismo Yngrid Barbosa Veiga da Silva, de 21 anos, conta que saiu da faculdade às 21h e tentou pegar o ônibus de volta para casa. Ao chegar ao ponto, a chuva aumentou e a calçada começou a encher de água. Carros e motos estacionados chegaram a boiar. Foi quando ela decidiu retornar à universidade.

"A  água chegou na minha canela, estava de vestido, molhou todo a parte de baixo. O guarda chuva não dava conta, comecei ficar desesperada vendo toda aquela situação. Quando decidi voltar, a água já estava chegando na minha coxa", diz Yngrid.

Segundo a estudante, a universidade disponibilizou um espaço para alunos, funcionários e professores passarem a noite. Yngrid disse que, ao longo da madrugada, ficou numa sala de aula com um grupo de alunos. Sem bateria no celular, conseguiu um carregador emprestado para avisar a família.

"Tive de esperar amanhecer na faculdade , com frio e fome, porque só fiz um lanche na cantina. Quando deu 6h, fui para o ponto, mas nenhum ônibus passava. Acabei indo para outro. Cheguei em casa só às 9h", afirma.

A estudante de Engenharia de Produção Érica Aparecida da Silva Oliveira, de 28 anos, estava na mesma faculdade alagada. Mesmo com a água no joelho, caminhou até o ponto e conseguiu pegar o ônibus para voltar para a casa. Numa determinada altura do trajeto, o trânsito parou completamente. Ela ficou sete horas parada.

"Tinha água para um lado e água para o outro. Não tinha como descer, não tinha como o ônibus andar", diz ela. Erica conta que, durante o caos, houve solidariedade entre os passageiros. Mesmo com o nível da água alto, alguns chegaram a se arriscar até um posto de gasolina para comprar água e bolacha para compartilhar com os que ficaram. Outros se revezaram nos assentos, de modo que todos pudessem descansar. O pior momento foi quando a água começou a baixar.

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"Começou uma onda de assalto, uma correria na pista. As pessoas gritavam para o motorista fechar as portas do ônibus, que estavam abertas pra gente poder respirar. A gente via o assalto lá na frente, ficou todo mundo agoniado. Teve uma menina que passou mal, com falta de ar. Outra ficou em choque, gritava dizendo que queria ir pra casa. Tinha gente querendo ir ao banheiro, com fome", relembra.

De acordo com a Defesa Civil, só em Santos choveu 328,8 mm nas últimas 72 horas, bem mais do que a média do mês de março inteiro, de 253,3 milímetros. O temporal que atingiu a Baixada Santista nas últimas horas provocou deslizamentos de terra em Santos, Guarujá e São Vicente.

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