Armamento foi encontrado durante operação na Favela do Rolo, na zone oeste da cidade
Márcia Foletto / Agência O Globo
Armamento foi encontrado durante operação na Favela do Rolo, na zone oeste da cidade

Um fuzil fabricado nos Estados Unidos que tinha como dono um colecionador e atirador de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, foi parar nas mãos de traficantes do Rio. O armamento, da marca Bushmaster e calibre 5,56, foi apreendido por policiais do 27º BPM (Santa Cruz) na casa de um traficante na Favela do Rola, na Zona Oeste do Rio, em 2011. A origem da arma passou a ser objeto de uma investigação do Ministério Público do Rio quando, três anos após a apreensão, o próprio colecionador pediu à Vara Criminal de Santa Cruz a restituição do armamento, dizendo ser seu proprietário.

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A investigação concluiu que o fuzil entrou no Brasil de forma ilegal, já que a Receita Federal nega a existência de uma autorização para importação da arma, e foi “esquentado” em São Paulo, onde passou a fazer parte do acervo do atirador. Após chegar à conclusão que o armamento havia entrado ilegalmente no país — provavelmente por contrabando — o promotor Luiz Antônio Ayres pediu à Justiça que a restituição da arma fosse negada. A juíza Regina Célia Moraes de Freitas determinou a sua destruição.

Até hoje, entretanto, não se sabe como o fuzil saiu de Ribeirão Preto e foi parar numa favela carioca. Após a destruição da arma, o caso foi remetido ao Ministério Público Militar (MPM) paulista, porque havia indícios da atuação de um militar para “esquentar” o fuzil contrabandeado no sistema de controle do Exército: apesar da origem ilegal, o armamento foi cadastrado, em 2008, no Sistema de Gerenciamento Militar de Armas (Sigma) — medida necessária para o proprietário legalizar a posse do fuzil.

Ao longo da investigação, o colecionador afirmou que havia herdado a arma do pai e que desconhecia sua origem. O homem ainda alegou que, em 25 de março de 2010, o fuzil foi furtado de sua casa, em Ribeirão Preto. Um ano depois, a arma foi encontrada escondida embaixo da cama do gerente do tráfico da favela do Rola.

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Ninguém foi punido pela posse ou por irregularidades no controle do fuzil. O traficante preso pela posse da arma foi absolvido em segunda instância porque os policiais militares não tinham mandado de busca para entrar em sua casa. Já o colecionador e um soldado do Exército, acusados de “esquentar” fraudulentamente o fuzil , foram absolvidos pela Justiça Militar, em junho do ano passado, do crime de falsidade ideológica. O MPM recorreu da decisão.

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