Tamanho do texto

Davi Ricardo responderá pelo estrangulamento e morte de estudante, enquanto seu colega responderá por omissão; caso aconteceu em fevereiro

segurança
Reprodução/redes sociais
Segurança do supermercado imobilizou o jovem porque ele teria tentado retirar a arma do vigilante

O segurança que estrangulou e matou um jovem de 19 anos em fevereiro , no supermercado Extra da Barra da Tijuca, tornou-se réu e irá responder à Justiça pela morte do estudante Pedro Henrique de Oliveira Gonzaga. A denúncia oferecida pelo Ministério Público foi aceita nesta terça-feira (2) pelo juiz Alexandre Abrahão Dias Teixeira, titular da 3ª Vara Criminal da Capital do Tribunal de Justiça do Rio.

O segurança Davi Ricardo Moreira Amancio irá responder por ter imobilizado e estrangulado o jovem, enquanto seu colega de profissão Edmilson Felix Pereira responderá por omissão, por não ter impedido a ação de Davi.

Leia também: Jovem que matou idosa com chave de fenda não se arrependeu, diz delegado

Na ação, filmada por um cliente do supermercado, o segurança permanece cerca de quatro minutos em cima de Pedro Henrique, imobilizando-o. Apesar de ter sido alertado por vários clientes que observavam a cena de que estaria sufocando o estudante, Davi só interrompeu a ação quando concluiu que não havia mais risco de o jovem reagir. O Corpo de Bombeiros chegou a fazer o socorro do jovem, que teve uma parada cardiorrespiratória ainda no mercado. Os militares conseguiram desfazer o quadro, mas ele teve outras duas paradas e morreu em seguida.

A denúncia foi oferecida pelo Ministério Público do Rio, que se manifestou a favor dos réus responderem o processo em liberdade. Assim, de acordo com a decisão, os réus estão proibidos de se aproximarem ou manter contato com qualquer parente da vítima ou testemunha. Além disso, terão que comparecer ao juízo sempre entre os dias 1º e 10 de cada mês e estão proibidos de deixarem o Rio de Janeiro por prazo superior a 10 dias, sem prévia autorização do juízo.

"Analisando a minudenciada narrativa contida na petição inicial redigida pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, encontrei a materialidade e os indícios mínimos de autoria do injusto do tipo imputado aos denunciados. Há, portanto, justa causa para a admissão da acusação, sendo certo que, no bojo do processo, à luz dos princípios do contraditório e da ampla defesa, poderão ser confirmadas, ou não, as acusações dirigidas aos denunciados", destacou o juiz ao aceitar a denúncia.

Leia também: Segurança que matou jovem em supermercado foi condenado por agressão a ex-mulher

À época do episódio do estrangulamento no supermercado , Davi Amâncio afirmou em depoimento à polícia que o estudante estava nervoso e teria tentado retirar sua arma enquanto ameaçava “matar todos no local”. Os advogados do segurança alegaram legítima defesa.

Já o supermercado Extra afirmou "que não aceita qualquer ato de violência, excessos e repudia toda forma de racismo". O mercado disse ainda que não iria se eximir da responsabilidade e que os seguranças envolvidos foram afastados. "A companhia instaurou uma sindicância interna e acompanha junto à empresa de segurança e aos órgãos competentes o andamento das investigações".