Agentes fizeram denúncia sobre situação da munição dos fuzis utilizados pela corporação
Major PM Luis Augusto Pacheco Ambar
Agentes fizeram denúncia sobre situação da munição dos fuzis utilizados pela corporação

A Polícia Civil do Rio determinou a suspensão do uso de fuzis AK-47 pela corporação e o recolhimento em todas as delegacias de balas calibre 762 usadas nesta arma. A medida, publicada em boletim interno no início do mês, foi justificada oficialmente por ‘‘problemas administrativos relacionados à munição’’. No entanto, agentes ouvidos pelo Jornal Extra dizem que a validade da munição estaria vencida e a polícia estaria com dificuldade de fazer a compra deste material.

E a munição de AK-47 não é o único equipamento usado pelos policiais civis afetado pela ação do tempo. Segundo Márcio Garcia, presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Rio de Janeiro (Sindpol), 9 mil coletes balísticos também já venceram. Mesmo assim, continuam sendo usados.

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"Todos os coletes da Polícia Civil estão com a validade vencida. Inclusive os que são usados por agentes de delegacias especializadas e unidades especiais como, por exemplo, a Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), que frequentemente participa de operações. Soubemos que, durante a intervenção federal, uma compra de coletes já teria sido feita. Mas até agora não chegaram aos policiais", disse Garcia.

Sobre a suspensão do uso do AK-47, o presidente do Sindpol disse que, enquanto não houver reposição, o fuzil fará falta: "Realmente, vai causar prejuízo às operações. Nosso armamento é insuficiente para atender as demandas de ações, como por exemplo das unidades especializadas. E retirando o AK-47, vai piorar. Sobre a munição, posso dizer que não tem nem para treinamento".

Embora o AK-47 não seja o principal fuzil usado pela Polícia Civil — há ainda o Colt calibre 556 e o M16, entre outros — a notícia desagradou aos policiais. De acordo com estimativa do Sindpol, o armamento representa pouco menos de 10% do arsenal da corporação. Mas, de forma isolada, em algumas delegacias da capital este número representa até 20%.

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"A gente fica numa 'sinuca de bico'. Há poucas armas disponíveis. E se a gente continuar a usar assim mesmo, podemos responder por conta da suspensão", observou um policial lotado em uma delegacia da Zona Norte.

Um outro agente, lotado em uma delegacia especializada, frisou que a suspensão do uso do AK-47 vai deixar um vazio na Polícia Civil: "Fará muita falta, sim. Melhor que o AK-47 não há. É uma arma que quase não dá manutenção, e além disso é muito resistente. Eu costumo só trabalhar com esse fuzil".

Corporação confirma que vai aposentar a arma

A Polícia Civil não respondeu sobre balas e coletes vencidos nem quando foi feita a última compra de munição. Mas confirmou que o AK-47 será aposentado. A instituição diz que a medida foi tomada após uma comissão avaliar o uso dos armamentos e optar por uma padronização, como já acontece em outras forças de segurança.

O especialista em armas Vinícius Cavalcante, diretor da Associação Brasileira de Profissionais de Segurança, diz que o uso de munição vencida é tolerável se for guardada longe da umidade. Já quanto aos coletes, Cavalcante frisa que um único pode ser usado, alternadamente, por mais de um policial. Neste caso, o uso de um colete vencido pode ser um risco.

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"É temeroso. Se a fibra da placa balística ficar encharcada por chuva ou suor em excesso, a peça fica inutilizada. Se há encharcamento, a placa não consegue mais reter o projétil. E a capa do colete também necessita de cuidados por conta do desgaste maior", finaliza Vinícius.

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