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Divulgação/ABL
Acadêmico, jurista, sociólogo e imortal da ABL, Helio Jaguaribe morreu aos 95 anos de idade

Morreu na noite desse domingo (9) o acadêmico, jurista, sociólogo e escritor Helio Jaguaribe, integrante da Academia Brasileira de Letras (ABL). De acordo com comunicado da ABL, Jaguaribe foi vítima de falência múltipla dos órgãos e morreu em sua casa, em Copacabana, no Rio de Janeiro.

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Crítico do golpe militar de 1964, Helio Jaguaribe destacou-se como cientista político e social e foi eleito em 3 de março de 2005 para ser o nono  ocupante da cadeira nº 11 da ABL, sucedendo Celso Furtado.

A bandeira da ABL foi hasteada a meio mastro nesta manhã em homenagem a Jaguaribe, por orientação do presidente da academia, Marco Lucchesi. “Jaguaribe foi um dos últimos grandes intérpretes de nosso País. Estudou o Brasil para transformá-lo, mediante uma abordagem desenvolvimentista, com a fundação do Iseb (Instituto Superior de Estudos Brasileiros), nos anos cinquenta”.

Marco Lucchesi disse, ainda, que “para Jaguaribe, ação e pensamento permanecem indissociáveis", como Darcy Ribeiro e Celso Furtado, que o precederam na cadeira 11 da Academia Brasileira de Letras.

"Cientista político de alta erudição e consciência vigilante, deixou obra vasta e criativa. Cito apenas dois títulos: A dependência político-econômica da América Latina, verdadeiro clássico na área, e Um estudo crítico da história, divisor de águas da interpretação do processo histórico publicado em nosso país. Homem de gestos largos e entusiasmado, Helio continua vivo pelas virtudes de sua obra, saudosa do futuro”, afirmou o presidente da ABL .

O corpo do jurista será velado na Sala dos Poetas Românticos, no Petit Trianon, na manhã de quarta-feira (12). O sepultamento está previsto para o mesmo dia, às 15h, no Mausoléu da Academia Brasileira de Letras, no Cemitério São João Batista, em Botafogo. O acadêmico deixa viúva, Maria Lucia Charnaux Jaguaribe, e cinco filhos, Anna, Roberto, Claudia, Beatriz e Isabel.

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Quem foi Helio Jaguaribe

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Fotos Públicas
Sedfe da Academia Brasileira de Letras (ABL), no Rio de Janeiro; Helio Jaguaribe foi nono a ocupante da cadeira nº 11

Helio Jaguaribe de Mattos nasceu no Rio de Janeiro, em 23 de abril de 1923. Ele se formou em Direito, em 1946, pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) e, em 1952, iniciou, com um grupo de jovens cientistas sociais, um projeto de estudos para a reformulação do entendimento da sociedade brasileira, fundando o Instituto Brasileiro de Economia, Sociologia e Política (Ibesp).

Em 1956, teve a iniciativa de promover a constituição do Instituto Superior de Estudos Brasileiros ( Iseb ), uma instituição de altos estudos, do Ministério da Educação e Cultura, no campo das Ciências Sociais, do qual foi designado chefe do Departamento de Ciência Política, exonerando-se de ambas as funções em 1959 por discordância com mudanças na orientação do instituto. Passou, então, alguns anos colaborando, sem vínculos permanentes, com diversas instituições acadêmicas, no Brasil e no exterior.

Em 1964, depois de pública condenação do golpe militar, afastou-se do País e foi lecionar nos Estados Unidos. Retornou ao Brasil em 1969 e ingressou no Conjunto Universitário Cândido Mendes onde, por alguns anos, foi diretor de Assuntos Internacionais.

Com a fundação do Instituto de Estudos Políticos e Sociais, em 1979, foi designado decano do novo Instituto, função que exerceu até 2003. Nessa data, completando 80 anos, propôs sua substituição por um scholar mais jovem, o professor Francisco Weffort, ex-ministro da Cultura do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que foi escolhido para o cargo. A Helio Jaguaribe foi conferido o título de decano emérito e, nessa qualidade, continuou ativamente suas pesquisas no Instituto.

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Por sua contribuição às Ciências Sociais, aos estudos latino-americanos e à análise das Relações Internacionais, recebeu o grau de doutor honoris causa da Universidade de Johannes Gutenberg, de Mainz, RFA (em 1983); da Universidade Federal da Paraíba (em 1992); da Universidade de Buenos Aires (em 2001).

Em 1996 foi agraciado, por sua contribuição às Ciências Sociais, com a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico. Em 1999, o Ministério da Cultura conferiu também a Helio Jaguaribe a Ordem do Mérito Cultural por sua contribuição ao desenvolvimento cultural do País.

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