Morte de chefes do PCC pode ter sido acerto de contas da própria facção

Segundo promotor do Gaeco do MP-SP, Gegê do Mangue era considerado o "número um" do PCC entre os que não estavam presos; ele foi encontrado morto com outro líder da organização criminosa em região indígena no Ceará
Foto: Divulgação
Chefe do PCC, Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, era considerado como extremamente perigoso pela polícia

A principal hipótese sobre a motivação da morte dos dois líderes da facção criminosa do Primeiro Comando da Capital (PCC), Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, e Fabiano Alves de Souza, o Paca , é de um possível acerto de contas entre os próprios membros do grupo, segundo o promotor de Justiça do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Estado de São Paulo Lincoln Gakiya.

Os corpos de Gegê e Paca foram encontrados em uma região indígena e de mata fechada, em Aquiraz, no Ceará, na madrugada de sexta-feira (16) para sábado (17). Além de tiros, o promotor conta que havia também uma marca de faca na região ocular de um deles, o que indica que eles haviam sido torturados. O assassinato teria acontecido na quinta-feira (15).

“O caso ainda está sendo investigado, mas a principal suspeita é de que os assassinatos tenham acontecido em decorrência de algum acerto de contas entre o próprio PCC . A maneira como o crime foi executado dá margem para que essa hipótese seja considerada”, analisa o procurador.

Gakiya também afirma que ninguém sabia que os criminosos estavam no Ceará – eles estavam usando documentos falsos e só se comunicavam com familiares -, sendo outro forte indício para acreditar que a execução tenha sido feita por integrantes ligados à facção.


Ainda não se sabe ao certo o motivo pelo qual os integrantes estariam no Ceará. “Os dois estavam foragidos e, provavelmente, devem ter escolhido o Ceará por ser uma região com grande fluxo de turistas, o que poderia fazer com que eles passassem despercebido”, informou.

Segundo o promotor, apesar das mortes terem ocorrido em Fortaleza, mesmo estado onde há algumas semanas foram executados 14 pessoas em uma boate, considerada a maior chacina do Ceará , não há nenhuma ligação entre as duas ocorrências.

Até então, a informação que se tinha sobre os criminosos era de que eles estariam comandando importações e exportações de drogas e armas no Paraguai e na Bolívia para o Brasil em nome do PCC.

"Número um"

Apesar de o Ministério Público considerar Gegê do Mangue como o número três na hierarquia de chefia do PCC - abaixo apenas de Marcos Willian Herbas Camacho, o Marcola, e Abel Pachecho, o Vida Loka -, o promotor ressalta que Gegê era o único líder da facção fora das penitenciárias e, com sua morte, não há nenhum outro sucessor com tamanha importância para o grupo que não esteja preso.

Rogério Jeremias de Simone tinha 41 anos e atuava no crime desde 1995, de acordo com o site da Polícia Civil de São Paulo. Chegou a cumprir pena por diversos crimes no regime fechado a partir do ano de 2000, mas em fevereiro do ano passado, quando estava preso na Penitenciária Presidente Wenceslau II, foi beneficiado por um habeas corpus e colocado em liberdade.

Semanas depois, entretanto, teve sua prisão preventiva decretada pela 5ª Vara do Júri do Foro Central Criminal São Paulo por homicídio ocorrido em 2004 e, desde então, passou a ser considerado procurado.

Força-Tarefa

Na madrugada desta segunda-feira (19),  36 integrantes da força-tarefa foram enviados ao Ceará para combater o crime organizado, após o assassinato dos chefes da facção criminosa.  Entre os membros do grupo estão policiais federais e agentes da Força Nacional de Segurança.

A equipe enviada pelo Ministério da Justiça chegou à Base Aérea de Fortaleza e se une às forças de segurança locais. São 10 policiais da Força de Nacional de Segurança Pública e 26 policiais federais. De acordo com as autoridades, a primeira atividade será uma reunião com a polícia do Ceará e, assim, organizar as demandas.

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