ROTA leva a lei para o litoral, capital e interior, negando espaço para o crime

Em mais uma série de operações fulminantes, a ROTA continua desferindo fortes golpes para desarticular o crime e o tráfico de drogas e armamento

Foto: Major PM Luis Augusto Pacheco Ambar
Policial Militar de ROTA com o Braçal de couro negro do Batalhão Tobias de aguiar

Nesta semana o Comando das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar desencadeou uma nova rodada de operações de porte contra a criminalidade em todo o estado de São Paulo. A mensagem para os delinquentes foi clara e direta: ao contrário do que ocorre em outros estados, em São Paulo os Policiais Militares de ROTA acessam qualquer local, no momento que julgarem mais adequado. Aqui não existe áreas onde a Polícia é proibida de entrar.

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Nesta matéria vamos acompanhar três dessas operações, uma na Baixada Santista, outra na cidade de São Paulo e a terceira no interior do estado em Hortolândia. Acompanhe a detalhada descrição feita pelos próprios PMs de ROTA que participaram dessas missões.

1) Martelo e Bigorna – Capitão PM Takahashi

Essa é uma daquelas operações que podem ser descritas como um modelo de cooperação entre duas forças de elite, que possuem papéis diferentes, mas nesse caso, altamente complementares. Ela nasceu de um pedido de apoio feito pela Polícia Rodoviária Estadual, para combater traficantes de grande porte que se instalaram na comunidade de Vila Esperança, localizada em Cubatão, na Baixada Santista.

Em função da peculiaridade geográfica da Vila Esperança, que de um lado é cercada por um extenso mangue e pela floresta da Serra do Mar, e do outro lado por uma rodovia e uma linha de trem, foi decido que o apoio solicitado viria com o emprego de dois Batalhões elite da PM: a ROTA, especializada em ações urbanas e o COE (Comandos e Operações Especiais) altamente treinado no combate ao crime em ambientes de mata e selva.

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O objetivo da missão era de reprimir, desalojar e desorganizar a estrutura de traficantes que se instalaram na comunidade de Vila Esperança, aterrorizando a população local, roubando cargas e veículos de turismo, e que frequentemente entravam em conflito armado com o policiamento local, usando fuzis de alto poder ofensivo, restritos às Forças Armadas. O Capitão PM de ROTA Takahashi inicia o relato da operação:

Foto: ROTA / Divulgação
Operação comunidade Vila Esperança - 211 invólucros com cocaína e um tijolo de maconha. Um preso.

“Quando fomos acionados para apoiar a Polícia Rodoviária Estadual, fizemos algumas reuniões com nossa Agência de Inteligência e com os PMs do COE para definir e coordenar nossa atuação conjunta. O COE possui muita experiência nesse local em função das inúmeras incursões que seus homens já fizeram ali e isso nos ajudou muito”.

“Fizemos uma detalhada analise geográfica do local, identificando todos os pontos de entrada e saída, e nosso pessoal de inteligência nos abasteceu com informações sobre os prováveis traficantes que seriam nossos alvos e o tipo de armamento que usavam. Nosso receio era de que no momento em que nossas 7 viaturas com 30 Policias de ROTA fossem vistas, os criminosos teriam como opção fugir para o mangue ou para a selva e por isso decidimos usar a estratégia de "Martelo e Bigorna”, continua o Capitão.

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Martelo e Bigorna é uma clássica manobra militar para negar espaço de fuga ao inimigo. Ao tentar escapar do martelo, o alvo é encurralado pela bigorna. Se tentar reagir, o martelo desce. Com força. Nessa operação, ao se deparar com a nada alvissareira chegada de um Pelotão de ROTA os criminosos teriam como única opção a fuga para o mangue ou para a floresta.

Não é difícil imaginar o desespero dos delinquentes ao perceber que todas saídas urbanas estavam bloqueadas por uma força de PMs de ROTA e que se optassem pelo caminho da selva seriam recebidos por um comitê de boas vindas formado por um contingente do COE, uma força de Policiais Militares invisíveis, camuflados e especializados em combate no ambiente verde.

Foto: ROTA / Divulgação
Operação comunidade Vila Esperança - Revolver calibre 38, cocaína, crack, maconha rádios de comunicação. Um preso.

“Iniciamos nossa missão da forma típica de uma ação de ROTA: Cada viatura agindo de forma independente, com extrema rapidez, mobilidade e agilidade, mas sempre trabalhando coordenadamente, ou seja, uma equipe sempre pronta para dar apoio imediato para outra equipe, mantendo a unidade e força do Pelotão”, diz o Capitão Takahashi.

Enquanto os PMs do COE acessavam suas posições pré-definidas, se deslocando a pé pelo mangue e pela mata, os Policiais do Batalhão Tobias de Aguiar iniciavam a incursão urbana com suas emblemáticas viaturas cor de asfalto. A ação da ROTA foi tão rápida que, por falta de tempo ou por medo, os traficantes não fugiram para a floresta,  optando por se esconder dentro da comunidade.

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“Assim que as viaturas entram na Vila Esperança, algumas pessoas foram observadas se evadindo em atitude suspeita. Em cerca de uma hora meus homens deram três golpes fortes no tráfico. O primeiro aconteceu na tentativa de abordagem de um individuo, que correu para dentro de uma residência. Os Policiais o detiveram e na revista pessoal nada foi encontrado, mas ao conversar com os PMs, ele caiu em várias contradições. Foi feita uma busca na casa e encontrado 211 invólucros com cocaína e um tijolo de maconha. O individuo confessou que era o responsável pelo armazenamento das drogas. Ele foi preso”, continua relatando o Capitão.

Foto: ROTA / Divulgação
Operação comunidade Vila Esperança - 411 invólucros com maconha, munições de arma de fogo, um rádio comunicador e um celular. Um preso.

Essa provavelmente era uma “casa-cofre”, um centro de armazenagem do atacado de droga, usado para distribuir quantidades menores para o varejo.

Na segunda ocorrência, um suspeito que também tentou fugir, foi detido e com ele apreendido um revolver calibre 38 municiado, 2 quilos de maconha, 225 gramas de cocaína e 31 gramas de crack. Mais um preso.

O terceiro flagrante foi de um suspeito que ao ver a viatura de ROTA, correu mas foi rapidamente alcançado e detido. Na sua mochila foi encontrado 411 invólucros com maconha, munições de arma de fogo, um rádio comunicador e um celular. Outro preso.

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“Sabemos que a Vila Esperança é composta por trabalhadores honestos. Sabemos do terror a que são submetidos pelos traficantes e da dificuldade que possuem em se comunicar conosco. Um comerciante nos disse claramente que se ele conversasse com meus Policiais, assim que saíssemos, ele seria abordado, questionado e ameaçado por criminosos. Por isso, nos últimos meses, o Comando da ROTA decidiu intensificar a frequência dessas operações. O crime não estabelece limites para a ROTA, nos representamos a lei, perseguimos os meliantes em qualquer lugar, na hora e na frequência que quisermos”, finaliza o Capitão Takahashi.

O sucesso dessa missão foi, segundo palavras do Capitão, devido a cooperação entre Policiais Militares de selva com Policiais Militares de selva de pedra. Força, Honra e Selva!

2) Roubo legalizado com Nota Fiscal? - Tenente PM Soares

A pouco mais de 100 quilômetros de São Paulo, fica a cidade de Hortolandia, o local escolhido para receber o patrulhamento de rotina feito pelo Pelotão do Tenente PM Soares, composto por cinco viaturas, mais uma de Comando, totalizando 24 Policiais de ROTA.

“Era cerca de 18hs quando visualizamos uma pessoa caminhando de forma suspeita. Assim que viu nossa viatura, baixou a cabeça evitando o contato visual conosco. Foi o suficiente para decidirmos abordá-lo. Na revista pessoal não encontramos nada ilícito, nem drogas nem armas, mas sua atitude não era normal, ele estava suando, nervoso e não possuía documentos”, relata o Tenente PM Soares.

Foto: ROTA / Divulgação
Operação Hortolândia - Bar que era usado como armazém de cargas roubadas. Repare no nome do bar. Obviamente a 'Opção' errada.

Uma das características de um PM de ROTA é saber ler o ambiente que está sendo patrulhado e identificar elementos que não fazem parte do ritmo local, pequenos detalhes que destoam. Outra marca registrada destes Policiais é seguir seu instinto e não desistir facilmente do interrogatório de um suspeito, mesmo que este insista em negar qualquer coisa errada.

O PM de ROTA é muito resiliente e não perde o foco nas várias fases e possíveis desdobramentos de uma abordagem, usando técnicas de observação e questionamento que fazem com que o delinquente acabe por entrar em múltiplas contradições e se entregar.

“No celular do suspeito havia uma conversa onde ele insistia na necessidade de se retirar os 'BOs' da sua casa e levá-los para ser guardados uma certa lanchonete. Ao questionar sobre o que se tratava esse dialogo, ele disse que não era nada, era conversa fiada com um amigo”, diz o Tenente.

Foto: ROTA / Divulgação
Operação Hortolândia - Parte da carga roubada, incluindo geladeira, micro-ondas e móveis.

Minutos depois o padrasto do suspeito chegou trazendo seus documentos. O Tenente fez várias perguntas ao padastro e quando questionou sua profissão, ele disse que tinha uma lanchonete, mas que estava fechada há 4 meses. Imediatamente o Tenente desconfiou.

“Perguntei para o suspeito se esta era a mesma lanchonete mencionada no dialogo do celular, mas ele negou. Decidi então ir investigar a lanchonete e ao chegar lá o suspeito ‘rachou’ e confessou. Sem o padrasto saber, a lanchonete era usada para armazenar produtos de roubo de carga. Essa era uma operação engenhosa, já que ao roubarem a carga, os ladrões levavam junto as notas fiscais de cada um dos produtos, e assim conseguiam vender o produto do roubo com muita facilidade.”, continua relatando o Tenente Soares.

“O suspeito nos confessou que seu papel era o de custodiante dos produtos roubados, já que o armazém era do seu padrasto. Ele disse que integrou esse bando há 6 meses, mas não participou diretamente dos roubos. A medida que as mercadorias iam sendo vendidas, por valores bem menores que os das suas respectivas notas fiscais, ele recebia um percentual. Ele nos disse que as retiradas dos produtos vendidos pelo resto da quadrilha eram sempre feitas de noite, com pouca frequência para não fazer muito transito e chamar menos a atenção.”, finaliza o Tenente.

Nessa mesma operação, a viatura comandada pelo Sargento PM Mark suspeitou de um individuo e ao abordá-lo foi confirmado que era foragido da justiça. Tanto este foragido, quanto o “custodiante” das cargas roubadas, foram presos.

Foto: ROTA / Divulgação
Operação Hortolândia - Junto com os produtos roubados, os criminosos tomavam o cuidado de levar também as respectivas notas fiscais para 'legalizar' a venda.

Este é um belo exemplo de atuação Policial que conjuga o papel de patrulhamento ostensivo de ROTA para a reprimir crimes em andamento com a capacidade destes mesmos PMs em também conduzir uma investigação e montar um quebra cabeça que levou ao desmanche de um sofisticado sistema de roubo e revenda de mercadorias com notas fiscais legalizadas. 

Acredite se quiser, o nome da lanchonete do crime é: "Bar e Lanchonete Nova Opção". Os criminosos deveriam ter mantido a "Antiga Opção" e continuar vendendo refeições lá. A "Nova Opção" vai lhes custar um bom perído atras da grades.

3) Crime compete com jornalismo - Tenente PM Alexandro

Em continuidade às operações de saturação, onde a ROTA usa uma grande quantidade de viaturas e Policiais para desarticular centros de distribuição de drogas, o Comando da ROTA decidiu fazer mais uma mega operação na comunidade de Paraisópolis, usando 22 viaturas com um total de 88 PMs de ROTA.

“Um dos nossos objetivos também é passar a sensação de segurança para as populações de comunidades que são verdadeiros reféns da violência de trafico. No caso da Paraisópolis são cerca de 140.000 pessoas. O Comando da ROTA escolheu essa comunidade pela dificuldade de patrulhamento em função do seu isolamento e dificuldade de acesso e locomoção interna. Nossa missão era de entrar e patrulhar todos os becos, vielas e ruas estreitas e deixar claro para o crime que Paraisópolis não é propriedade deles. Foi isso que fizemos e voltaremos e fazer”, diz o Tenente Alexandro.

“Nossas equipes se dividiram, ocupando todos os pontos de acesso da comunidade. Ao patrulhar o local com minha viatura, observamos um individuo, que ao nos ver, correu para dentro de uma residência. Efetuamos a abordagem e ele insistiu que não havia feito nada de errado, que não mexia com drogas e não era ligado ao crime. Vimos quatro malas novas num canto da casa e ao abri-las, encontramos um equipamento de filmagem digital para TV avaliado em cerca de R$40.000,00. O suspeito confessou que havia roubado essas malas de dentro um carro Mercedes-Benz, no ladeirão da Giovanni Gronchi, quebrando o vidro com uma vela”, continua relatando o Tenente.

Foto: ROTA / Divulgação
Equipamento de filmagem recuperado pela ROTA
Foto: rota
Equipamento de filmagem recuperado pela ROTA

Esta técnica de arromabemento consiste em atingir com força o vidro de um carro com a ponta de uma vela de motor. O impacto concentrado num ponto pequeno faz com que o vidro quebre imediatamente. O susto e a perda temporária de reflexos do condutor, em função do intenso barulho, é o suficiente para o ladrão ganhar a vantagem e efetuar o assalto.

“O suspeito disse que estava com mais dois comparsas no dia do assalto e que já havia anunciado os equipamentos em sites de venda na internet. O negócio já estava praticamente fechado por R$5.000.00. Conseguimos ver o logotipo da emissora de TV estampado num dos equipamentos, entramos em contato e eles devem retirar as filmadoras na delegacia.

Um dos Policiais desta matéria é pai de duas crianças de 5 e 11 anos. Para cumprir seu dever, ficou 48 horas em missão, dormindo um total de 30 minutos nesse período. Essa matéria é dedicada aos familiares dos Policiais de ROTA, especialmente às esposas, mães e namoradas, verdadeiras heroínas anônimas que tentam manter a estrutura de suas casas e famílias funcionando normalmente, enquanto seus maridos, filhos e namorados, arriscam suas vidas para manter a estrutura das casas e famílias de toda a sociedade paulista funcionando normalmente.