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A Polícia Militar cumpre sempre seu dever de combate contra os traficantes, mas se o papel social de reinserção dos dependentes químicos não for cobrado do poder público, este ciclo não terá fim.

A cracolândia virou uma das maiores pedras no sapato da prefeitura  de São Paulo. Várias foram as medidas e ações tomadas na região, desde pagar salários para os dependentes varrer as ruas até a demolição de prédios e proposta de internação compulsória. A experiência demonstra, mais uma vez, que essas medidas não surtem efeito. 

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Cracolândia precisa de ação social da prefeitura de São Paulo
Rovena Rosa/Agência Brasil - 13,1.2017
Cracolândia precisa de ação social da prefeitura de São Paulo

Quando a situação foge de controle, o último recurso é acionar a PM, que resolve pontulmente o problema na  cracolândia , mas mesmo assim é duramente criticada e apontada como a vilã e como inficiente já que basta alguns dias, ou algumas horas, e tráfico retorna com a mesma intensidade. Por que?

A ação desconexa dos grupos de direitos humanos, que creditam a responsabilidade deste caos para a Polícia e ainda fazem denuncias de uso excessivo de força e violencia dão um indicativo bastante claro de onde está a causa do problema e como deve ser resolvido. Esses chamados defensores do ser humano erram pesadamente três vezes, por ignorancia ou por motivação política.

O primeiro erro é básico: ignorar a vítima e desfocar a causa do problema. Os direitos humanos dos dependentes e usuários que vivem na cracolândia é que na realidade são diariamente desrespeitados pelos criminosos que controlam o suprimeto de drogas. São comuns os relatos de espancamentos, tortura e assassinatos que os traficantes praticam contra os usuários que não conseguem atingir a quotas de venda diária. O castigo físico é imediato. Em qual esconderijo estão entocados a turma dos direitos humanos e seus financiadores nesse momento? Quando o criminoso bate, tortura, assassina e estupra os usuários, isso não precisa de defesa? Ou será que a defesa dos viciados contra os traficantes não dá tanta mídia?

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O segundo erro dos defensores dos direitos humanos é confundir traficantes criminosos com usuários vitimisados. A Polícia Militar não foi convocada pelo governo para atacar usuários. A PM foi acionada para prender os traficantes, apreender armas e drogas ilegais. Se estes indivíduos reagem, é dever legal da Polícia se defender e defender a população. Óbviamente a Polícia irá usar a força e equipamentos necessários para conter a violência, mas o pessoal dos direitos humanos iniciam sua narrativa apenas nesse momento, quando a Polícia reaje. Pior, induz aos incautos a crer que a Polícia está atacando viciados indefesos e não traficantes armados.

O Terceiro erro, e talvez o mais grave, é focar o problema na reação da Polícia. A ação policial, convocada pela autoridade civil,  é pontual, irá resolver o problema momentaneamente. É responsabilidade da prefeitura dar continuidade com programas sociais de abrigo, alimentação e tratamento aos usuários, caso contrário eles simplesmente irão para outro quarteirão procurar abrigo em baixo de uma árvore e no dia seguinte voltarão a ser vitimizados pelos traficantes. A Polícia será chamada novamente e a turma dos direitos humanos irá, novamente perder o foco e criticar a ação policial.  

O papel da polícia é combater o tráfico e o trabalho da prefeitura é auxiliar, acolher e proteger os dependentes químicos. Se a força polícial entra na cracolândia e prende os traficantes que ali atuam e o poder público se limita a demolir prédios e fazer internações compulsórias, dias depois outros traficantes serão colocados no lugar coagindo os useários e isso vira um ciclo sem fim.

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Enquanto o trabalho social, que deve ser feito pela prefeitura, não sair do lugar, nada vai mudar. A única coisa que vamos ver é a cracolândia mudando de rua, o tráfico de drogas mudando seus traficantes e os direitos humanos fazendo barulho inútil. Os grupos de direitos humanos devem arregaçar as mangas e fazer parte ativa da solução. Devem também focar suas energias na cobrança ao poder público para resolver o problema dos dependentes químicos que vivem no centro de São Paulo. 



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