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Desde o último domingo (21), prefeitura e governo do Estado executam ações para tentar acabar com a região conhecida como Cracolândia

Após operação policial, prefeitura de São Paulo iniciou demolição de prédios na Cracolândia, na região central
Rovena Rosa/Agência Brasil - 23.5.2017
Após operação policial, prefeitura de São Paulo iniciou demolição de prédios na Cracolândia, na região central

Após a ação policial realizada no último domingo (21) na Cracolândia, dependentes químicos se espalharam por 22 pontos na região central de São Paulo. O levantamento foi feito pela GCM (Guarda Civil Metropolitana), que localizou pelo menos 340 pessoas espalhadas por bairros como Luz e Santa Cecília.

No domingo (21), durante a operação da Polícia Civil, foram efetuadas prisões e apreensões nos quarteirões ocupados por barracas improvisadas pelos usuários. Com a repressão, os usuários se espalharam pelo centro de São Paulo , sendo que a maior concentração é na Praça Princesa Isabel, a cerca de 500 metros do local onde houve a ação policial.

Entretanto, o secretário estadual de Desenvolvimento Social, Floriano Pesaro, não considera as mudanças como problema. “Na medida em que ela se dispersa [concentração de usuários] você acaba tendo maior facilidade na abordagem e maior dificuldade para o tráfico”, afirmou após reunião para definir as medidas do Programa Redenção, iniciativa municipal que pretende substituir o Programa De Braços Abertos, da gestão do ex-prefeito Fernando Haddad (PT).

Diante das modificações na região, houve aumento na demanda por serviços de saúde e de assistência social. “A ação ia ser feita unicamente na Cracolândia , naquela situação geográfica, e hoje ela feita na cidade inteira. Inclusive, nós colocamos veículos à disposição das nossas equipes de abordagem para que eles possam ir às regiões de concentração”, ressaltou o secretário municipal de Saúde, Wilson Pollara.

Apesar de Pesaro ter minimizado os impactos negativos, o secretário municipal de Governo, Julio Semeghini, admitiu, que a ação, coordenada pela Secretaria de Estado da Segurança Pública, aconteceu antes que o Redenção e a rede municipal estivessem prontos para atender aos usuários. “Ela [a ação policial] nos pegou em fase de preparação das nossas ações. Mas, agora, na prática, ela está ajudando”, disse.

Demolições

Após ter anunciado o fim da Cracolândia, o prefeito João Doria (PSDB) tentou justificar a afirmação, feita no domingo. “Nós nunca falamos que os dependentes deixariam de existir. A Cracolândia, fisicamente, são prédios. São edificações que são utilizadas por uma facção criminosa para a distribuição de entorpecentes”, destacou.

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A prefeitura lacrou quase todos os imóveis residenciais e comerciais de dois quarteirões onde ficava a maior parte dos usuários. Também foram feitas algumas demolições. Durante a derrubada de um desses prédios, três pessoas ficaram feridas. Segundo Semeghini, houve um erro e a demolição acabou sendo iniciada antes que a edificação fosse esvaziada.

O caso foi citado em uma liminar emitida na última quarta-feira (24) pela 3ª Vara de Fazenda Pública do Tribunal de Justiça do Estado que proibiu a administração municipal de continuar as remoções e demolições antes de cadastrar os moradores e garantir atendimento de saúde e habitação. A prefeitura informou que vai cumprir as exigências.

Internações compulsórias

A respeito da solicitação feita pela prefeitura à Justiça para fazer internações compulsórias, o Pollara disse que não há a intenção de usar a medida de forma indiscriminada. A intenção, segundo ele, é facilitar o trâmite legal. Para que uma pessoa seja levada para tratamento psiquiátrico sem autorização da família, é necessário obter uma decisão judicial, além de um parecer médico. “Nós continuamos com a análise médica e psiquiátrica caso a caso. Nós estamos solicitando que não exista mais uma análise judicial caso a caso”, disse.

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Pesaro, por outro lado, discordou da visão da prefeitura de São Paulo sobre o tema. “Nós não achamos necessário [o pedido à Justiça para internações compulsórias]. A legislação já prevê a questão da internação compulsória ou voluntária. Nós já temos legislação para isso e sabemos qual é o caminho.”


* Com informações da Agência Brasil

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