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Prazo foi fixado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais; mineradora, cujas atividades estão paralisadas desde 2015, e pretende retomar a operação

Santa Bárbara foi um dos municípios afetados pela lama de rejeitos da Samarco; prefeitura terá de se manifestar ao TJ-MG
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Santa Bárbara foi um dos municípios afetados pela lama de rejeitos da Samarco; prefeitura terá de se manifestar ao TJ-MG

O TJ-MG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais) definiu prazo de dez dias para que a prefeitura de Santa Bárbara, em Minas Gerais, emita um documento dizendo se as estruturas da Samarco na cidade estão ou não em conformidade com a legislação municipal de uso e ocupação do solo. As cartas de conformidade estão entre os pré-requisitos para que a Samarco possa voltar a produzir. Elas devem ser fornecidas por todos os municípios envolvidos em sua cadeia de produção.

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A prefeitura de Santa Bárbara entende que a retomada das atividades da Samarco irá provocar impactos no meio ambiente, o que exigiria ações de mitigação por parte da mineradora. Com base no Decreto Municipal 2.488/2013, o município chegou a solicitar à mineradora a entrega de estudos ambientais.

No entanto, o desembargador Raimundo Messias Dias concordou com a argumentação da mineradora, segundo a qual a avaliação dos impactos ambientais é de responsabilidade do governo estadual, cabendo ao município tão somente avaliar a conformidade em relação à sua legislação de uso e ocupação do solo. A decisão é de quinta-feira (11). "Não pode o município fazer exigências típicas do licenciamento, mostrando-se ilegal o Decreto Municipal 2.438/2013", diz o despacho.

Segundo o magistrado, a exigência de estudos ambientais extrapola a competência do município. Ele cita a Resolução 237/1997 do Conselho Nacional do Meio Ambiente, que disciplina as atividades sujeitas a licenciamento ambiental. De acordo com esta resolução, os empreendimentos devem ser licenciados em apenas um único nível de competência e, quando se trata de atividade desenvolvida em mais de um município, a responsabilidade é do órgão ambiental estadual.

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As atividades da mineradora estão paralisadas desde que todas as suas licenças ambientais foram suspensas em decorrência da tragédia de novembro de 2015, quando ocorreu o rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana (MG). Foram liberados no ambiente mais de 60 milhões de metros cúbicos de rejeitos, que devastou vegetação nativa, poluiu a bacia do Rio Doce e provocou 19 mortes. O episódio é considerado a maior tragédia ambiental do país.

A Samarco planeja voltar a operar no segundo semestre deste ano, mas necessita das cartas de conformidade para depois obter a reabilitação de suas licenças ambientais com a Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad). Já entregaram o documento os Executivos de Catas Altas, Matipó, Ouro Preto e Mariana. A única carta pendente é a de Santa Bárbara. Embora não exista efetiva produção da Samarco na cidade, ocorrem em um de seus distritos a captação e o bombeamento de água utilizada em operações da mineradora.

Outro lado

Em nota, a Samarco informou que está confiante na emissão da carta de conformidade nos próximos dias em cumprimento à decisão do TJ-MG. A mineradora disse ainda que a estrutura que existe em Santa Bárbara "entrou em operação em 2014, sem ter sido submetida a qualquer alteração e, portanto, estando em plena regularidade desde então”.

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Segundo a Samarco, a tragédia de novembro de 2015 não causou nenhum impacto nessa estrutura. Por esta razão, não haveria motivos para que o município recusasse a entrega de uma nova carta de conformidade similar a que estava em vigor desde 2009 e que somente foi suspensa devido ao rompimento da barragem de Fundão.

A prefeitura de Santa Bárbara não foi localizada para comentar o assunto.


* Com informações da Agência Brasil

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