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Mulher do diplomata, que já está presa, teria sido a mentora intelectual do homicídio; Kyriakos Amiridis estava desaparecido desde segunda-feira (26)

Embaixador Kyriakos Amiridis foi visto pela última vez em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense
Divulgação/Embaixada da Grécia
Embaixador Kyriakos Amiridis foi visto pela última vez em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense

A Polícia Civil informou nesta sexta-feira (30) que a morte do embaixador da Grécia no Brasil, Kyriakos Amiridis, foi decorrente de crime passional. De acordo com as investigações, sua esposa, a embaixatriz Françoise de Souza Oliveira, que já está presa, tem envolvimento na morte. A informação foi confirmada pelo delegado Evaristo Pontes, da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF).

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A polícia encontrou na última quinta-feira (29) o carro que o embaixador dirigia. O veículo, que estava queimado, foi localizado embaixo de um viaduto do Arco Metropolitano, em Nova Iguaçu. O corpo do embaixador estava dentro, carbonizado.

Conforme o delegado, Amiridis foi morto em Nova Iguaçu pelo policial militar Sergio Gomes Moreira Filho, que seria amante da embaixatriz. Em seguida, o cadáver foi levado para o carro, enrolado em um tapete, com a ajuda do primo do PM, Eduardo Moreira de Melo.

Moreira Filho aparece em gravações de câmeras de segurança, no condomínio do embaixador. Ele e Eduardo confessaram participação no crime, mas a embaixatriz nega que tenha participado. Porém, segundo o delegado Pontes, ela foi a mentora intelectual do assassinato.

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Os três tiveram prisão temporária de 30 dias expedida pela Justiça. Uma quarta pessoa, um mototaxista que levou Moreira até o local onde o carro foi incendiado, está sendo investigada, mas não teve sua prisão pedida. Entre as motivações para o crime, pode estar a apropriação de bens e até de seguro de vida do embaixador, mas isto ainda está sendo investigado.

Durante entrevista coletiva, o diretor da Divisão de Homicídios do Rio de Janeiro, Rivaldo Barbosa, pediu desculpas ao povo grego pelo crime, classificado por ele como “cruel, covarde e desarrazoado”. O diplomata estava desaparecido desde a última segunda-feira (26).

Trajetória

Amiridis tinha 59 anos e nasceu em Veria Imathias, na Grécia. É casado e pai de uma filha. Se formou em Direito pela Universidade de Aristóteles em Tessalônica, no mesmo país. Iniciou sua carreira diplomática em 1985, no ministério grego de Relações Internacionais.

Em 2001, ele assumiu o cargo de cônsul-geral da Grécia no Brasil, tendo sido transferido em 2004 para a Holanda. Em 2011, foi promovido a ministro Plenipotenciário de Primeira Classe. No ano seguinte, passou a chefiar a Embaixada da Grécia na Líbia e, em 2016, a brasileira.

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Em maio deste ano, Amiridis participou de cerimônia no Palácio do Planalto com o presidente Michel Temer. Na ocasião, o governo brasileiro oficializou os embaixadores como representantes de seus países no Brasil. A entrega das credenciais ao presidente da República é uma formalidade que aumenta as prerrogativas de atuação do diplomata no Brasil. Também participaram do evento os representantes da República Democrática do Congo, Mutombo Bakafwa Nsenda; do Paquistão, Burhanul Islam; do Iraque, Arshad Omar Esmaeel; da Namíbia, Samuel S. Nuuyoma; e da Croácia, Zeljko Vukosav.


* Com informações da Agência Brasil

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