Tamanho do texto

A nova tática da mafiosa construtora para "melar" a Lava Jato é atacar, indiscriminadamente, qualquer pessoa que julgue conveniente

José Yunes
TV Gazeta
José Yunes

Como se não bastasse a atuação da infame construtora Odebrecht, que durante anos roubou nosso país, usurpou nossos valores republicanos e democráticos, e corrompeu nossos políticos, agora seus executivos tentam confundir a opinião pública, os promotores e juízes, ao acusar irresponsavelmente e difamar qualquer um que sirva aos seus propósitos de “melar” a operação Lava Jato. O mais recente caso envolve o advogado José Yunes.

Leia também: Odebrecht, a maior fábrica de corrupção do Brasil

José Yunes , acaba de renunciar ao seu cargo de assessor especial da Presidência, mais uma vítima da clara tentativa da corja de ladrões da Odebrecht em embaçar o foco das investigações da sua atuação criminosa. Eles não estão sabendo avaliar a pressão da opinião pública. Eles não perceberam que não existe mais espaço para seu modus operandi mafioso. A única coisa que a Odebrecht consegue criar com esse tipo de ação diversionista e espúria, é gerar vitimas que são acusadas, julgadas e executadas, sem ao menos saber o que está acontecendo.

Truculência, roubo, e mentiras não são os valores democráticos pelos quais os brasileiros lutaram tanto. Esses valores são da Odebrecht, uma empresa que se especializou em corromper, achacar e ignorar o sistema democrático ao comprar nossos legisladores para posteriormente chantageá-los a passar leis que a beneficiava em seus negócios escusos.

Leia também: Algumas instituições ainda funcionam no Brasil

A Odebrecht representa o que há de pior numa sociedade, o verdadeiro sonho de Al Capone: sob uma fachada de legalidade, criou uma unidade no coração de sua organização chamada de “Departamento de Operações Estruturadas”, que tinha uma única função: roubar e corromper em escalas de difícil compreensão.

Os arrogantes donos da Odebrecht tinham tanta segurança do seu poder absoluto, que se divertiam ao desprezar os políticos que corrompiam, dando-lhes apelidos engraçadinhos como “Feio”, “Caranguejo” e “Boca Mole” entre tantos outros.

Leia também: Caju, Justiça e Caranguejo: veja os apelidos de políticos na lista da Odebrecht

Enganam-se os que pensam que as múltiplas cabeças desta cobra peçonhenta, chamada de Odebrecht, estão cortadas. Abaixo está a transcrição da carta de renúncia de José Younes, um triste testemunho da destruição que a Odebrecht causou e ainda causa no pais.

"Caro Presidente,

Movido pelo alto interesse em dedicar meu tempo à causa da Nação, depois de ter vivido fértil passagem pela vida político-partidária, nas jornadas cívicas das décadas de 70/80, aceitei convite de Vossa Excelência para assessorá-lo no Planalto, oportunidade em que passei a conviver com experientes e altos quadros do seu Governo. Seria uma honra ajudar o amigo de 50 anos a colocar o país nos trilhos, após a hecatombe que arrasou a economia, proporcionando a maior recessão de toda a nossa história, jogando milhões de pessoas nas ondas perversas do desemprego, minando a confiança de brasileiras e brasileiros de todas as classes em governantes e instituições.

Nos últimos dias, Senhor Presidente, vi meu nome jogado no lamaçal de uma abjeta delação, feita por uma pessoa que não conheço, com quem nunca travei o mínimo relacionamento e cuja existência passei a tomar conhecimento, nos meios de comunicação, baseada em fantasiosa alegação, pela qual teria eu recebido parcela de recursos financeiros em espécie de uma doação destinada ao PMDB. Repilo com a força de minha indignação essa ignominiosa versão. Como advogado e pai de família, que zela pelo dever de agir como cidadão sob os valores da honra e do zelo pela expressão da verdade, em respeito à minha família, aos amigos e aos concidadãos, não posso ver meu nome enxovalhado por irresponsáveis denúncias de figurantes com quem nunca tive qualquer contato direto ou por terceiros.

Para preservar minha dignidade e manter acesa a chama cívica que me faz acreditar nos imensos potenciais de meu país, declino, Senhor Presidente, do honroso cargo de assessor da Presidência, sem, porém, abdicar da admiração e da amizade que nos une desde os heróicos tempos nas Arcadas do Largo de São Francisco. Tenha em mim o leal amigo que o acompanha há décadas e que o admira por suas incomparáveis qualidades, entre as quais, o equilíbrio, a capacidade de harmonizar os contrários, a sapiência, o respeito pelo outro, a determinação de fazer as grandes reformas que o país exige e a vontade férrea de pacificar a Nação.

São Paulo, 14 de dezembro de 2016.
José Yunes
Advogado"

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.