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Luiz Carlos dos Santos era vice-presidente de conselho estadual de direitos humanos; ele é suspeito de receber 'mesada' para atuar em favor da facção

Vice-presidente do Condepe, o advogado Luiz Carlos de Santos foi preso no fim de novembro
Reprodução/EPTV
Vice-presidente do Condepe, o advogado Luiz Carlos de Santos foi preso no fim de novembro

O juiz Gabriel Medeiros, da 1ª Vara da Comarca de Presidente Venceslau (SP) aceitou nesta segunda-feira (12) a denúncia enviada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) contra o advogado Luiz Carlos dos Santos, ex-vice-presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana de São Paulo (Condepe). Ele é acusado de envolvimento com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

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Além do ex-conselheiro, a denúncia recebida pela Justiça paulista envolve outras 54 pessoas, incluindo outros advogados suspeitos de ligação com o crime organizado.  Também integra o grupo o preso Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como o chefe do PCC. Ele cumpre pena em Presidente Venceslau, município paulista localizado a cerca de 600 quilômetros da capital.

O magistrado também determinou a quebra dos sigilos fiscais e bancários dos acusados. O objetivo é identificar movimentações financeiras irregulares feitas pelos denunciados, bem como identificar possíveis crimes de lavagem de dinheiro . Os averiguados têm prazo de dez dias para apresentarem resposta.

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A assessoria de imprensa do MP-SP não especificou quais são os crimes que cada um dos envolvidos é acusado.

Operação Ethos

A Operação Ethos foi deflagrada no dia 22 de novembro pela Polícia Civil e pelo MP-SP. Foram cumpridos 41 mandados de prisão em todo o Estado. Segundo as investigações, Luiz Carlos dos Santos teria recebido R$ 130 mil do PCC para apresentar denúncias falsas junto a organismos de proteção aos direitos humanos. O objetivo seria desestabilizar as ações voltadas à segurança em São Paulo .

Santos foi preso em sua casa em Cotia, na Grande São Paulo. Em depoimento à Polícia Civil, ele confirmou que teria aceitado receber R$ 2 mil mensais para atuar em favor da facção.

O advogado foi afastado do Condepe no último dia 25 . Na ocasião, o conselho declarou que a decisão teve como objetivo "garantir a transparência e isenção nas investigações e processos em andamento, assim como zelar pela continuidade dos trabalhos do Conselho".

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