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Áreas de saúde e renda são as mais desiguais em Brasília; população da região central ganham dez vezes mais do que moradores das periferias

No Plano Piloto, 84,4% da população possui plano de saúde, enquanto na Estrutural a taxa é de 5,6% dos moradores
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No Plano Piloto, 84,4% da população possui plano de saúde, enquanto na Estrutural a taxa é de 5,6% dos moradores

Um  dos maiores índices de desigualdade econômica e social do País foi registrado na cidade de Brasília, de acordo com o Mapa das Desigualdades, divulgado neste sábado (3) pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), pelo Movimento Nossa Brasília e pela ONG Oxfam Brasil. O mapa apresenta, por meio de um medidor chamado de “desigualtômetro”, as diferenças significativas no acesso a alguns bens e serviços entre os moradores da região central e das áreas periféricas.

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No que diz respeito à área da saúde, o mapa aponta que o “desigualtômetro” do Plano Piloto, região central de Brasília , chega a ser até 19 vezes maior do que na região da Estrutural, favela periférica localizada a cerca de 20 quilômetros do centro da cidade.

No Plano Piloto, onde 60% dos moradores trabalham no serviço público, 52% das pessoas utilizam os postos de saúde em sua própria vizinhança. Na Estrutural, esse percentual chega a 92%, mostrando as dificuldades de locomoção dos moradores.

Quando se trata de plano de saúde, a proporção se torna ainda mais desigual. No Plano Piloto, 84,4% da população possui plano de saúde, enquanto na Estrutural a taxa é limitada a 5,6% dos moradores.

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Outras áreas

A comparação apresentada na saúde também foi realizada nas áreas da cultura, educação,  segurança pública, mobilidade urbana, saneamento básico e trabalho e renda. A proporção de desigualdade se mantém em todos os casos, mas o indicador de renda é o de maior disparidade. A renda per capita no Plano Piloto é de R$ 5.569,46, enquanto na Estrutural é de R$ 521,80, ou que representa uma média dez vezes mais baixa.

O indicador de renda também revela a desigualdade racial. “Segundo o estudo, quanto maior a renda, menos negra a população. Quanto menor a renda, mais negra é a população”, revelou Cléo Manhas.

Além disso, o estudo também mostra que o índice de Gini – usado para medir o nível de desigualdade – do Plano Piloto é um dos mais altos do país, com taxa de 0,428. O índice varia entre 0 e 1, sendo que, quanto mais próximo de 1, mais desigual.

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Todos as residências do Plano Piloto em Brasília tem energia, abastecimento de água e esgotamento sanitário e somente 3% dos domicílios estão em terreno irregular. Essa taxa sobe para 82% na Estrutural, onde também falta energia, saneamento e abastecimento regular de água.

*Com informações da Agência Brasil

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