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Mais de 400 policiais estão em busca de criminosos e líder de tráfico de drogas no local, após confrontos tensos, com mortes, nos últimos dias

Tropas da PM circulam na Cidade de Deus, após operação no fim de semana, em que houve pelo menos 11 mortes
Fernando Frazão/Agência Brasil - 23.11.2016
Tropas da PM circulam na Cidade de Deus, após operação no fim de semana, em que houve pelo menos 11 mortes

Pelo menos seis mil estudantes da rede municipal da região da Cidade de Deus, zona oeste do Rio de Janeiro, ficaram sem aula nesta quarta-feira (23), nos turnos da manhã e da tarde, devido a uma operação com mais de 400 homens da Polícia Civil. 

Os policiais estão cumprindo mandados de busca e apreensão na comunidade Cidade de Deus , tendo sido previamente autorizados pela Justiça. Até agora, os agentes conseguiram prender 14 pessoas acusadas  de estarem envolvidas com tráfico de drogas. Porém, a polícia ainda busca o chefe do tráfico, identificado como Edvanderson Gonçalves Leite, também chamado por Deco. 

O traficante foi libertado em julho deste ano após conseguir um habeas corpus, voltando para a comunidade. Deco já foi preso quatro vezes nos últimos anos, tendo fugido por duas vezes, sendo recapturado pela Polícia Civil no ano passado, quando saiu da prisão por decisão judicial. 

Segundo informou o Ministério Público estadual, os investigados fazem parte do Comando Vermelho, facção que domina o tráfico de drogas na região. Para a Agência Brasil, o promotor de Justiça, Bruno Lavorato, afirmou que “o grupo impõe ordens e restrições aos moradores, se valem de armas e diversos meios de intimidação, além de inibirem o trabalho contínuo da polícia, instituindo verdadeiro poder paralelo alheio aos poderes do Estado”.

Relatos da operação

Moradores relataram que policiais arrombaram casas na comunidade durante a operação. Nas redes sociais, o rapper MV Bill, que mora na área, reclamou que a Polícia Civil forçou a entrada em três apartamentos de pessoas que conhece e que, segundo ele, teriam saído de casa para trabalhar.

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Em resposta, o titular da Delegacia de Combate às Drogas, Felipe Curi, afirmou que as casas que estiverem fechadas poderão ser arrombadas, uma vez que a polícia obtém mandados coletivos de busca e apreensão autorizados pela Justiça. "Em três apartamentos que não tinha ninguém foram apreendidos três fuzis, quatro pistolas e drogas”, justificou.

Sobre as mortes de sete pessoas na comunidade no último domingo (20), o titular da Delegacia de Homicídios da Capital, Fábio Cardoso, informou que estão sendo realizadas as investigações devidas. De acordo com ele, já foram realizadas as perícias necroscópicas, concluindo que as mortes foram em decorrência de ferimentos a tiros.

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Além disso, Fábio Cardoso afirmou que diligências estão sendo feitas para identificar os responsáveis pelas mortes e  para apurar as circunstâncias dos crimes. Ele também esclareceu que, no momento, há duas linhas investigativas sobre as últimas ocorrências na Cidade de Deus. "A primeira, de que as mortes poderiam ter ocorrido durante confronto entre milicianos na Gardênia Azul [ que fica ali perto] ou, a segunda, durante confronto entre criminosos e policiais na comunidade. A delegacia ainda não descartou outras possibilidades. Durante as investigações, o fato será esclarecido", explicou. 

*As informações são da Agência Brasil

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