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Polícia Civil cumpriu nesta terça 41 mandados de prisão em operação que apura participação de facção criminosa em conselho de direitos humanos

Luiz Carlos de Santos, que teve prisão decretada, teria recebido R$ 130 mil do PCC para apresentar denúncias falsas
Reprodução/EPTV
Luiz Carlos de Santos, que teve prisão decretada, teria recebido R$ 130 mil do PCC para apresentar denúncias falsas

Após operação da Polícia Civil que culminou na prisão do vice-presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), Luiz Carlos dos Santos, o subprocurador-geral de Justiça do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), Mário Sarrubbo, afirmou que a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) utilizava os serviços do órgão para desestabilizar as forças responsáveis pela segurança no Estado de São Paulo.

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Na manhã de hoje, além o vice-presidente do Condepe, a Polícia Civil cumpriu outros 40 mandados de prisão no Estado, sendo parte deles de advogados, por suposta associação com o crime organizado. A operação, batizada de Ethios, teve a parceria do MP-SP.

“O crime organizado procurava manter seus tentáculos também na proteção dos direitos humanos, procurando, com isso, desestabilizar as forças de segurança . Há fortes indícios de que isso ocorreu”, afirmou o subprocurador em entrevista coletiva concedida na tarde desta terça-feira (22).

O subprocurador disse ainda que duas pessoas ligadas ao PCC tentaram, sem sucesso, se eleger para o conselho. Sem sucesso, teriam cooptado Santos a participar de atividades ilícitas. “Se estivessem no Condepe, haveria grande possibilidade do avanço sobre as forças de segurança do Estado . Além disso, eles poderiam fazer um trabalho no sistema penitenciário, com intuito de usar o nome do Condepe”, declarou.

Apesar das acusações, Sarrubo ressaltou a importância do conselho e de seu trabalho desenvolvido em prol dos direitos humanos e assegurou que não existem indícios sobre a participação de outros integrantes do órgão em atividades criminosas.

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A Operação Ethos se desenrola há cerca de um ano e meio e conta com a participação de 65 promotores de Justiça em diversos municípios do Estado. O MP-SP não informou mais detalhes sobre as investigações para não prejudicar o andamento dos trabalhos.

Detenção

O vice-presidente do Condepe foi detido em sua casa em Cotia, na Grande São Paulo . De acordo com as investigações, Luiz Carlos dos Santos teria recebido R$ 130 mil do PCC para apresentar denúncias falsas junto a organismos de proteção aos direitos humanos.

Também foram executadas ações em Campinas, Presidente Prudente, Presidente Venceslau, Santos e São Vicente. Cerca de 640 policiais civis participaram da operação na manhã desta terça-feira (22).

Outro lado

Em nota enviada à imprensa, o Condepe criticou a ação da Polícia Civil e do MP-SP, afirmando que, “ao contrário do que se tem afirmado, nenhuma denúncia de violação de direitos humanos apresentadas pelo conselheiro Luiz Carlos se mostrou inconsistente, sendo todas embasadas em processos administrativos e posterior apuração”.

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“Nesse sentido, causou-nos surpresa a prisão do conselheiro Luiz Carlos. Como defensores de direitos humanos, reiteramos o princípio fundamental de presunção de inocência”, acrescentou o texto enviado pelo Condepe. O órgão disse se colocar à disposição do Poder Judiciário para “contribuir com a rigorosa apuração da verdade dos fatos, sem prejulgamentos”.

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