Tamanho do texto

Para o promotor, demora para resolução do caso representa falta rigor no Judiciário paulista; MPF afirma que o caso deve ser concluído em 2017

Plataforma na estação da Sé, na região central de São Paulo, lotada devido à paralisação
Reprodução/Twitter - @crc1966
Plataforma na estação da Sé, na região central de São Paulo, lotada devido à paralisação

A procuradoria da República em São Paulo dve apresentar, ainda neste ano, a acusação formal contra o chamado cartel dos trens no Estado, um esquema de fraudes em contratos do Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Isso ocorre dois anos após a conclusão do inquérito pela Polícia Federal, que aconteceu em dezembro de 2014. As informações foram publicadas nesta segunda-feira, no jornal O Estado de S. Paulo.

VEJA AINDA:  Governo paulista estuda tirar empresas envolvidas na Lava Jato de obra do Metrô

O inquérito aponta a participação de ex-diretores e ex-presidente da CPTM, executivos de multinacionais, lobistas e empresários nos crimes de corrupção ativa e passiva, formação de cartel, lavagem de dinheiro, crime licitatório e evasão de divisas entre 1998 e 2008, durante as gestões do PSDB – Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra. Ao todo foram 33 indiciados no cartel dos trens ; nenhum político.

Demora

De acordo com o Ministério Público Federal, o caso deve ser concluído ainda em 2017. No entanto, os investigados não devem ser enquadrados em crime de formação de quadrilha, porque o pena já prescreveu. Durante o período em que o inquérito ficou nas mãos do procurador Rodrigo de Grandis, a maior parte dos R$ 600 milhões sequestrados pela Justiça junto a ex-agentes públicos e empresas envolvidas no esquema foi desbloqueado.

LEIA AINDA:  Japoneses levam 48 horas para reparar cratera gigante e avenida é reaberta

Segundo o MPF, a demora para a conclusão do caso se deve ao fato de a PF ter concluído o inquérito sem o resultado das colaborações internacionais com autoridades de Suíça, Alemanha e Uruguai. Os países europeus liberaram documentos no primeiro semestre deste ano, mas o governo do Uruguai só enviou os dados há cerca de um mês. Sem estes documentos, afirma a Procuradoria, não haveria provas para embasar as denúncias.

Promotoria

O jornal afirma ainda que, de 2014 até hoje, o Ministério Público Estadual de São Paulo já pediu a prisão e apresentou denúncias contra os suspeitos de envolvimento no caso. No entanto, ninguém foi punido. 

E MAIS:  Tribunal de Contas suspende licitação de obras do monotrilho em São Paulo

Para o promotor Marcelo Mendroni, responsável por oito denúncias sobre o caso do cartel dos trens, falta rigor ao Judiciário paulista. “Um dos argumentos para as prisões da Lava Jato é a possibilidade de fuga. Fiz mais de 10 pedidos aqui, mas todos foram negados”, disse Mendroni. “São Paulo não tem um juiz especializado em delitos econômicos. Isso faz com que juízes não tenham conhecimento técnico na maioria dos casos. Aqui os juízes não têm a mesma postura rigorosa”, afirmou.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.