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Pelo menos 500 pessoas foram despejadas de terreno que pertence à construtora Savoy na zona leste da capital paulista. Reintegração foi tensa

Reintegração de posse despeja ao menos 500 pessoas em terreno na zona leste de São Paulo
Reprodução/Twitter
Reintegração de posse despeja ao menos 500 pessoas em terreno na zona leste de São Paulo

A Polícia Militar acompanha desde o início da manhã desta terça-feira (8) a reintegração de posse de um terreno de 1,98 milhão de metros quadrados na zona leste da cidade de São Paulo. O despejo de pelo menos 500 pessoas acontece de forma tensa, com uso de bombas, gás e spray de pimenta contra as famílias.

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A reintegração seguiu violenta. Os moradores despejados atearam fogo em alguns focos após a ação da PM no local. Oficiais da Justiça calculam a presença de mais de 500 pessoas que ocupavam o terreno há dois anos. A área pertence à construtora Savoy, que pretende erguer um condomínio na área que está localizada na rua José de Costa Andrade. 

Jornalistas foram impedidos pelos policiais de acompanhar a remoção das famílias. Alguns moradores do local divulgaram fotos da reintegração “nada pacífica” nas redes sociais. Para a Agência Brasil, alguns ocupantes do terreno falaram sobre o despejo.

O feirante Luís Eduardo Ferreira de Melo, 28 anos, tem três filhos e tentava salvar seus pertences como televisão, geladeira e fogão. Ele disse que foi impedido de entrar no local. “Estou com a minha perua, mas eles não deixam entrar. Falaram para eu esperar e tirar no final. Mas se eu esperar não vai sobrar nada”, lamentou.

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A esposa de Luís, Maria, afirmou que a casa de aluguel onde a família morava anteriormente tinha pegado fogo por problema na fiação. “A gente não tinha recurso, dinheiro, comecei a morar aqui. Mas agora sou obrigada a sair. Não tenho para onde ir”, disse ela. A família estava na ocupação há sete meses.

Maria Aparecida da Silva, 33 anos, chegou com o marido e cinco filhos há pouco mais de 20 dias de Juazeiro do Norte, no Ceará. Sua família também estava lutando para salvar seus pertences, como fogão, cama das crianças, roupas, documentos.

“Na hora que a gente foi retirar, tacaram bomba de gás. A gente correu com as crianças, eles estavam chorando, com olho ardendo”, disse ela. “Viemos [para São Paulo] tentar a vida, mas não deu. Nós vamos seguir em frente. Não pode desistir. Vamos ficar na rua com essas crianças todas”, completa Francisco Alves Bezerra, de 47 anos.

Despejo violento

Segundo foi divulgado, a Polícia Militar chegou ao local por volta das 6h da manhã a fim de realizar a retirada das centenas de moradores. Com a chegada dos policiais, as famílias atearam fogo em entulhos e pneus para tentar obstruir vias e protestar contra a remoção.

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A PM afirmou que o fogo foi rapidamente apagado e nenhuma pista foi bloqueada. O terreno, de propriedade particular, está localizado na Rua José da Costa Andrade, Cidade Líder, zona leste da capital paulista. A Agência Brasil entrou em contato com a secretaria municipal da Habitação, que ainda não se pronunciou.

Desocupa e ocupa

Na madrugada desta terça-feira (8), outro grupo de pessoas ocupou um terreno também na zona leste de São Paulo
Reprodução/Facebook MTST
Na madrugada desta terça-feira (8), outro grupo de pessoas ocupou um terreno também na zona leste de São Paulo

Na madrugada desta terça-feira (8), outro grupo de pessoas ocupou um terreno também na zona leste de São Paulo, onde acontece a reintegração das dezenas de famílias pela PM. A nova ocupação é liderada pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MTST). Em uma página do Facebook, “MTST Ocupação Anastácia”, o grupo compartilhou imagens da “primeira noite” no local.

* Com informações da Agência Brasil

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