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Polícia encontrou cinco cadáveres em área rural de Mogi das Cruzes (SP) na manhã de domingo (6); grupo estava sumido desde o dia 21 de outubro

Corpos foram encontrados em estrada na cidade de Mogi das Cruzes, em São Paulo; parentes fazem o reconhecimento
Reprodução/Globonews
Corpos foram encontrados em estrada na cidade de Mogi das Cruzes, em São Paulo; parentes fazem o reconhecimento

Parentes dos cinco rapazes desaparecidos desde o dia 21 de outubro foram nesta segunda-feira (7) ao Instituto Médico Legal (IML) para fazer o reconhecimento dos corpos encontrados na manhã do último domingo (6) em uma área rural na cidade de Mogi das Cruzes, na Região Metropolitana de São Paulo.

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Os parentes identificaram nos cadáveres alguns sinais que coincidem com características dos desaparecidos. Caso, por exemplo, de Robson de Paula, 17 anos, que foi identificado pela família por causa de uma lesão que possuía na coluna vertebral – razão pela qual passou por cirurgia. Ele ficou paraplégico há cerca de dois anos, quando foi baleado por policiais militares durante uma perseguição. O rapaz fazia uso de fraldas geriátricas e, no local onde os corpos foram encontrados, havia itens desse tipo.

O corpo de Caique Henrique Machado Silva, 18, também foi reconhecido pela família. Segundo a mãe dele, o corpo tinha uma prótese na tíbia – um osso da perna – semelhante à que Silva possuía. No caso de Jonas Ferreira Januário, 30, que era o condutor do veículo em que o grupo estava, a identificação foi possível por causa de tatuagens e marcas de cirurgias.

Dos cinco cadáveres, três foram apontados por familiares como sendo dos jovens desaparecidos. Porém, para que o reconhecimento seja confirmado, depende de laudo a ser emitido por peritos do IML Central, localizado na capital paulista. Todos estavam em estado avançado de decomposição, o que dificulta os trabalhos.

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O próprio ouvidor das polícias de São Paulo , Júlio César Fernandes Neves, garantiu que “não há dúvidas” de que os corpos são, realmente, dos jovens que sumiram no dia 21 de outubro.  Neves ressaltou ainda que há indícios de execução, já que alguns dos mortos estavam com as mãos amarradas.

Tortura

O vice-presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), Luiz Carlos dos Santos, assegurou que os cadáveres apresentavam sinais que indicam que houve tortura . Segundo ele, Robson, o cadeirante, tinha as mãos presas com um lacre de plástico conhecido como enforca gato. Santos acrescenta que o corpo dele estava decapitado e que a cabeça não foi encontrada pelas equipes de busca.

Outros dois jovens que integravam o grupo – Jonathan Moreira Ferreira, 18, e César Augusto Gomes Silva, 20, estão “irreconhecíveis”, segundo Santos. “Os familiares estão indo ao hospital fazer a coleta de saliva e cabelo para fazer o exame de DNA . Amanhã [terça-feira, dia 8], a polícia vai colher mais depoimentos”, afirmou o vice-presidente do Condepe.

Desaparecimento

O grupo desapareceu na noite de 21 de outubro quando saía da zona leste de São Paulo em direção a Ribeirão Pires, no ABC Paulista, onde participariam de uma festa. O carro onde os rapazes estavam foi encontrado dias depois em uma alça de acesso ao Rodoanel.

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A Corregedoria da Polícia Militar (PM) acompanha as investigações, já que há a suspeita de envolvimento de agentes da corporação no caso. Antes do desaparecimento, um dos rapazes teria enviado mensagens por celular a parentes relatando que o grupo havia sido parado em uma blitz. Ele relatou ainda a abordagem truculenta por parte da PM.


* Com informações da Agência Brasil

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