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"O que está acontecendo aqui é mais uma escalada de retorno a uma ditadura”, disse o advogado dos jovens, que foi impedido de contatá-los

Polícia Militar tenta negociar a saída dos estudantes de uma série de escolas ocupadas
Reprodução/Facebook - 8.10.2016
Polícia Militar tenta negociar a saída dos estudantes de uma série de escolas ocupadas

Detidos durante a noite desta quinta-feira (3), 40 estudantes que haviam ocupado o Centro Paula Souza, na região central da capital paulista, por volta das 18h30, foram liberados perto das 4h da madrugada desta sexta-feira (4). Eles foram detidos por volta das 20h, por policiais militares, colocados em dois ônibus e levados ao 2º Distrito Policial, no Bom Retiro.

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Até as 21h, os estudantes que ocuparam o Centro Paula Souza não puderam ter acesso a seu advogado, que acompanhava de longe a situação. “Estão descumprindo a lei, porque é direito do advogado, é prerrogativa do advogado, mais que isso, é direito dos presos de se entrevistar com seu advogado. E isso não está acontecendo, eles estão rasgando o estatuto da ordem, que é uma lei federal. Fui proibido [de ter contato com os estudantes]”, disse o advogado Denis Veiga Junior.

Segundo Veiga Junior, a Polícia Militar não tinha mandado para a reintegração de posse e não informou o motivo da detenção dos jovens. “Eles têm uma tesa absurda de autotutela do estado: que o estado dispense o Poder Judiciário para fazer reintegrações de posse. Isso é um absurdo. É rasgar a Constituição de 88. O que está acontecendo aqui é mais uma escalada de retorno a uma ditadura”, disse o advogado.

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Os estudantes protestam por pautas específicas referentes à Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo (Fatec) e às Escolas Técnicas Estaduais (Etecs), além de pautas nacionais, como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Gastos Públicos, a reforma do ensino médio e retrocessos na educação.

Sem motivo ou justificativa

Daniel Cruz, estudante da Escola Estadual Caetano de Campos e diretor da União Paulista de Estudantes Secundaristas (UPES), estava na ocupação, mas foi liberado ainda durante a noite.

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Ele disse que foi fazer uma ronda no entorno do Centro Paula Souza, ver se os outros portões estavam abertos, quando foi surpreendido pelos policiais. “[A polícia] pegou eu e um companheiro meu e botou a gente para fora e já deixou avisado que a polícia ia invadir e ia todo mundo preso. E foi o que aconteceu”, disse. A secretaria de Segurança Pública ainda não se pronunciou sobre o caso.

* Com informações da Agência Brasil.

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