undefined
Marcelo Camargo/ Agência Brasil - 05.09.2016
Para a PF, grupo descoberto pela Operação Mamba pode ter desviado valor ainda maior do que os R$ 6 milhões apurados

Policiais federais deflagraram na manhã desta quarta-feira (5) operação para desarticular a atuação de uma quadrilha que era especializada em fraudes na Previdência Social. O grupo atuava na obtenção indevida de benefícios previdenciários e do Seguro Desemprego. Para isso, criava vínculos empregatícios falsos, o que possibilitou o desvio de aproximadamente R$ 6 milhões.

LEIA MAIS: Reforma da Previdência deve ser votada no início de 2017, diz líder do governo

A operação , denominada Mamba, contou com a participação de equipes da Previdência Social e do Ministério Público Federal (MPF). A ação foi executada por 107 agentes da Polícia Federal (PF), além de seis servidores da Assessoria de Pesquisa Estratégica e de Gerenciamento de Riscos da Previdência Social (APEGR).

Segundo informações divulgadas pela sede da PF em Campinas, foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva – que não tem prazo definido – e cinco de busca e apreensão, além de 29 ordens de condução coercitiva. Além de Campinas, também foram realizadas ações nas cidades de Hortolândia e São José do Rio Preto, todas em São Paulo.

A PF informa que os integrantes da quadrilha são ligados a um escritório de Campinas especializado em contabilidade. O estabelecimento utilizava os dados de seus clientes reais para informar vínculos empregatícios falsos à Previdência Social e ao Ministério do Trabalho. Em seguida, efetivava os registros em Carteira de Trabalho e conseguia ter acesso aos benefícios, entre eles o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Até a tarde desta quarta-feira, a PF já havia apurado que o prejuízo causado pela quadrilha aos cofres públicos chega perto de R$ 6 milhões. Entretanto, o valor desviado pode ser ainda maior, já que outros vínculos laborais estão sob investigação e também podem ser oriundos de ação fraudulenta.

LEIA MAIS:  PF apreende carros de luxo em operação contra fraudes em fundos de pensão

A corporação destaca que os envolvidos no esquema tinham pleno domínio dos trâmites trabalhistas e previdenciários. Como as empresas utilizadas para o cometimento das atividades ilícitas estavam em atividade ao tempo da fraude e, segundo a PF, sem levantar suspeita, a descoberta do crime ficou ainda mais difícil.

As duas pessoas que tiveram prisão preventiva decretada permanecem à disposição do Poder Judiciário e irão responder pelos crimes de estelionato qualificado e associação criminosa. As penas podem chegar a 15 anos de reclusão.

Lula

Ainda nesta quarta-feira, a PF indiciou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por corrupção passiva . O petista é acusado de favorecer a empreiteira Odebrecht, envolvida na Operação Lava Jato , em contratos firmados em Angola, na África. Lula já é réu em dois inquéritos originados pelas investigações da Lava Jato, sendo um deles sobre um tríplex no Guarujá, litoral paulista.

Pelas redes sociais, Lula fez críticas à PF e à Justiça e diz que “sempre agiu dentro da lei antes, durante e depois de ocupar dois mandatos eleitos como presidente da República”. O ex-presidente afirma que o documento da Polícia Federal referente à Operação Lava Jato foi “vazado para a imprensa e divulgado com sensacionalismo antes do acesso da defesa, porque essa prática deixa claro que não são processos sérios de investigação, e sim uma campanha de massacre midiático”.

    Veja Também

      Mostrar mais