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Fernando Frazão/ Agência Brasil - 04.12.15
Protesto pela morte de negros por PMs no RJ; TSE aponta que apenas 8% dos candidatos às eleições municipais são negros


A falta de representatividade de negros nas eleições municipais que ocorrem neste domingo (2) é uma evidência de que ainda existe racismo no Brasil. Isso é o que apontam os analistas ouvidos pelo iG sobre os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que revelam que apenas 8% dos candidatos são negros enquanto 54% da população brasileira se autodeclara negra.

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“Embora nós vivamos sob o mito da democracia racial , o Brasil ainda é um País que não mantém direitos iguais para brancos e negros”, aponta Rafael Araujo, professor de Ciências Políticas da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Para ele, a explicação dessa desigualdade vem da herança escravocrata, resultado de um racismo carregado desde a época de colônia. 

“Essas diferenças se reproduzem em diversas áreas sociais, como nas vagas das melhores universidades e escolas, por exemplo, em que é possível notar o privilégio da elite brasileira majoritariamente branca”, explica.

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Para a professora e doutora em história social da Faculdade Getúlio Vargas (FGV),  Ynaê Lopes dos Santos, a sociedade brasileira é estruturada em preceitos racistas e os números do TSE são uma evidência disso. “A representatividade cidadã da população negra é preterida em diversos aspectos e a política é só um dos exemplos”, aponta.

De acordo com Ynaê, a mídia é um reflexo desse preconceito, onde os negros ainda não são devidamente representados, sendo necessário, portanto, “haver uma discussão ampla sobre esse tema nos partidos políticos”, ratificando a elaboração de medidas que reforcem a inclusão desses candidatos.

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José Cruz/Agência Brasil - 11.02.2014
Seminário em Brasília debate cota no serviço público federal; medida visa diminuir a desigualdade racial na política


Cotas nos partidos

Ambos analistas acreditam que a criação de cotas para candidatura de negros são maneiras para se começar a reduzir a rachadura racial no País, mas ainda encontram resistência já que não são previstas na legislação. 

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“As cotas funcionam como uma medida emergencial que nos ajuda a corrigir o passado. A resistência encontrada por essa vantagem são contestadas com o argumento da meritocracia, que é uma uma grande falácia. Aliás, o mérito de uma pessoa está condicionada a circunstâncias”, reforça Araujo.

"Para além da representativade, são necessárias as criações de pautas que discutam a igualdade racial no país", corrobora Ynaê. 

Ainda segundo o TSE, os partidos que disponilizam de cotas raciais, entre eles o Partido dos Trabalhadores (PT) (20%) e o Partido Socialista (PSOL) (30%), estão entre os que mais possuem candidatos negros nesta eleição municipal. O PT possui 91 candidatos (4,2%); PSDB, 171 candidatos (7,9%) e o PSOL, 18 candidatos (0,83%). 

"Entendemos a dívida histórica que o Estado Brasileiro tem com os negros e, portanto,  promovemos debates regularmente buscando a discussão de questões étnico-raciais", assegurou Florisvaldo Souza, Secretário Nacional de Organização do PT. 

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