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Esquema de auditores fiscais da Prefeitura de São Paulo descoberto em 2013 foi responsável por desvios de até R$ 500 milhões na capital paulista

A Justiça de São Paulo começou a julgar nesta semana as pessoas acusadas de participar do esquema criminoso de auditores fiscais da prefeitura de São Paulo, que ficou conhecido como máfia do ISS. As audiências, em segredo de Justiça, estão ocorrendo desde esta segunda-feira (12) no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste da capital paulista.

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Nesta semana e na próxima, serão ouvidas as testemunhas de acusação. Já as tesmunhas de defesa serão ouvidas pela Justiça nas duas semanas posteriores. A Prefeitura de São Paulo, o Ministério Público Estadual e a Polícia Civil, que investigam o caso, calculam que até R$ 500 milhões tenham sido desviados dos cofres do município com o esquema criminoso da máfia do ISS .

Prefeitura de São Paulo deixou de arrecadar até R$ 500 milhões devido a esquema da máfia do ISS, descoberto em 2013
Beatriz Atihe/iG São Paulo
Prefeitura de São Paulo deixou de arrecadar até R$ 500 milhões devido a esquema da máfia do ISS, descoberto em 2013

No esquema, revelado em 2013, auditores fiscais do município cobravam propina de empresas para reduzir o valor do imposto que deveriam pagar à prefeitura. Segundo o Ministério Público, a fraude envolveu 410 empreendimentos, entre construtoras, shopping centers e até mesmo hospitais.

O sistema funcionava no momento do recolhimento do ISS, calculado sobre o custo total da obra. Esse recolhimento é condição necessária para que o empreendedor obtenha o Habite-se, que é o documento que libera que a construção seja ocupada.

Para construir um prédio, as incorporadoras e construtoras estabelecem um modelo de organização social conhecido como Sociedade de Propósito Específico (SPE). Cada empresa ou incorporadora pode ter vários SPEs. Quando se está em uma etapa próxima do término da obra, é necessário fazer o recolhimento do ISS e obter a certidão de quitação do imposto.

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No esquema criminoso investigado, os auditores fiscais emitiam as guias do recolhimento do ISS com valores muito inferiores ao exigido e cobravam das empresas ou dos incorporadores o depósito de altos valores, geralmente em espécie, em suas contas bancárias.

Sem esse “pagamento” em suas contas pessoais ou no de suas próprias empresas, os auditores que integravam a máfia do ISS não emitiam os certificados de quitação e o empreendimento não era liberado para ocupação.

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