Adolescentes bebem mais e usam menos camisinha, revela pesquisa

De acordo com IBGE, jovens tiveram acesso facilitado a bebidas alcoólicas e descuidaram da saúde sexual; casos de bullying aumentaram em escolas

Os jovens brasileiros tiveram mais acesso a bebidas alcoólicas e drogas ilícitas, ao mesmo tempo em que deixaram de usar camisinha nas relações sexuais. Isso é o que revela a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense), levantamento divulgado na manhã desta sexta-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A pesquisa está na terceira edição e foi realizada entre abril e setembro de 2015 com 102.301 alunos do 9º ano do ensino fundamental. Entre os entrevistados, 88% tinham de 13 a 15 anos, sendo que 51% tinham 14 anos, idade adequada para este nível de ensino.

De acordo com o estudo, o acesso a bebidas alcoólicas cresceu em relação à última edição, de 2012. Naquele ano, 50,3% dos entrevistados relataram já ter tomado ao menos uma dose de bebida alcoólica - em 2015, o índice subiu para 55%.

Por outro lado, 23,8% dos adolescentes disseram ter bebido recentemente, número menor do que o registrado em 2012, de 26,1%. O dado mais preocupante, porém, mostrou que, tanto em 2012 como em 2015, um em cada cinco jovens tiveram ao menos um episódio de embriaguez. Uma pequena proporção, de 0,5%, revelou ter consumido crack nos 30 dias anteriores à pesquisa.

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"Hábitos saudáveis e não saudáveis tendem a ser mais duradouros quando adquiridos na adolescência. Por isso, a Organização Mundial da Saúde recomenda pesquisas com adolescentes, para prevenção de doenças cardiovasculares, câncer e displasias", disse o pesquisador do IBGE Marco Andreazzi, gerente da Pense.

Sexo

Ao mesmo tempo, segundo a pesquisa, menos adolescentes têm usado preservativos durante as relações sexuais - que estão cada vez mais precoces. Cerca um terço (33,8%) dos entrevistados não tinha usado preservativo na sua última relação, um aumento significativo frente aos 24,7% de 2012.

O número de jovens que transam, por outro lado, registrou uma pequena queda. De acordo com a pesquisa, em 2015, 27,5% dos alunos do último ano do fundamental disseram já ter tido relação sexual alguma vez. Três anos antes, 28,7% responderam o mesmo.

Pela primeira vez, a Pense investigou casos de jovens que foram estuprados. Cerca de 4% dos adolescentes, ou cerca de 105 mil alunos, responderam já ter sido vítima. Entre os meninos, 3,7% relataram ter sofrido abuso e entre as meninas, 4,3%. Os casos são mais frequentes nas escolas públicas (4,4%) do que particulares (2%).

Entre os forçados a ter relações sexuais, 11% disseram que o agressor foi pai, mãe, padrasto ou madrasta e 19% responderam ter sido outros parentes. A maior parte dos alunos (26,6%) disse ter sido obrigada a transar com namorados ou namoradas e com amigos (21 8%).

Bullying

Assim como na pesquisa de 2012, mais entrevistados relataram em 2015 terem praticado do que sofrido bullying, não apenas na escola, mas em qualquer ambiente que frequentam.

Meninas são menos provocadoras do que meninos: 15,6% das alunas disseram já ter praticado bullying, enquanto entre os alunos a proporção sobe para 24,2%. A prática é um pouco mais frequente nas escolas privadas (21,2% dos entrevistados disseram fazer bullying) do que na rede pública (19,5%).

*Com informações do Estadão Conteúdo

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