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Ao mesmo tempo em que serviços da Prefeitura diminuíram, Ouvidoria Geral do Município registrou grande aumento de reclamações sobre jardinagem

Regiões da Mooca, Sé, Pinheiros, Butantã, Santo Amaro, Vila Mariana, Ipiranga e Lapa são as com mais queda  de árvores
Werther Santana/Estadão Conteúdo
Regiões da Mooca, Sé, Pinheiros, Butantã, Santo Amaro, Vila Mariana, Ipiranga e Lapa são as com mais queda de árvores

Moradores de São Paulo viveram momentos de terror quando, em apenas dois dias,  mais de 180 árvores caíram na cidade por conta de um temporal . Além dos prejuízos financeiros daquele 16 e 17 de maio, uma pessoa morreu e oito ficaram feridas com as quedas. Ainda assim, os serviços de poda e remoção, que servem para evitar o problema, despencaram no último ano – e as reclamações só aumentaram.

Se entre janeiro e agosto de 2015 foram 80.911 podas e 11.905 remoções, no mesmo período deste ano somente 55.952 árvores foram podadas e 9.110, removidas, representando uma queda de 30% dos dois serviços pela Prefeitura paulistana.

Ao mesmo tempo, a Ouvidoria Geral do Município registrou amplo aumento no número de reclamações em relação aos serviços de jardinagem: de 62,25 ao mês no primeiro semestre de 2014, elas passaram para 148,3 mil no mesmo período de 2015 e para 117,6 mil entre janeiro e junho deste ano.

“Os moradores reclamam que tem de esperar por muito tempo depois de fazerem o pedido", afirma a presidente da Associação dos Moradores e Amigos da Mooca, Crescenza Gianoccaro de Sousa Neves, mais conhecida como dona Zina. "E a situação não evolui porque há poucos engenheiros agrônomos fazendo este trabalho.”



No Sumaré, zona oeste da capital, a demora nos atendimentos levou os próprios moradores a criarem, com a ajuda de voluntários, um inventário das árvores da região. “Este trabalho tem como finalidade principal identificar e informar à Subprefeitura da Lapa sobre quais precisam ser avaliadas antes do próximo período de chuvas [a partir de outubro]", conta a secretária da Associação Dos Moradores e Amigos do Sumaré, Natalia Verdasca.

Questionada sobre o aumento no número de reclamações na cidade, a Secretaria de Coordenação das Subprefeituras se limitou a dizer que, “para manejo de áreas verdes, as subprefeituras contam com cerca de 650 servidores, sendo ao menos 74 engenheiros agrônomos deste total, distribuídos em 65 equipes."

De acordo com a secretaria, as regiões da Mooca, Sé, Pinheiros, Butantã, Santo Amaro, Vila Mariana, Ipiranga e Lapa representam 62% das quedas registradas nos últimos dois anos.

Poda mal feita, cupins, fungos e o não desenvolvimento da raiz por falta de espaço podem comprometer as árvores
Rovena Rosa/ Agência Brasil
Poda mal feita, cupins, fungos e o não desenvolvimento da raiz por falta de espaço podem comprometer as árvores


Como identificar o problema

Uma poda mal feita e a presença de cupins e fungos podem comprometer a saúde das árvores. Mas, de acordo com Flávio Henrique Mendes, mestre em Ciências Florestais pela Universidade de São Paulo (USP), a própria cidade grande é um dos principais problemas para o enfraquecimento delas. 

“A árvore fica mais estressada no meio urbano, o solo é mais compactado, fica mais duro e as raízes não conseguem se desenvolver de uma forma adequada para se sustentar”, explica o especialista.

Outra situação complicada é a poda da raiz: quando algum serviço de tapa buraco é feito, por exemplo, pode acabar retirando do solo partes importantes para a sustentação da árvore. Fora o tráfego, que o deixa cada vez mais duro e dificulta o desenvolvimento da raiz.

O morador leigo no assunto que quiser evitar problemas precisa saber o histórico da árvore – se já ocorreu alguma poda inadequada na copa ou na raiz. Caso isso não seja possível, é essencial uma análise visual, tentando identificar mudanças no tronco, galhos e folhas, presença de cupins ou fungos, principalmente na base, ou movimento de alavanca quando bate algum vento. Caso alguma alteração seja notada, é importante solicitar a vistoria de um especialista.

Realizar podas adequadas e cuidar para que o espaço no entorno da base seja suficiente para o desenvolvimento da raiz também é essencial porque ventos muito fortes podem até mesmo derrubar árvores saudáveis. “Pode haver uma canalização do vento e isso acaba aumentando a velocidade. Com isso, a força que vai ser dada contra a árvore é ainda maior”, explica Mendes.

Árvores mais velhas são mais vulneráveis à queda, já que as mais jovens se recuperam melhor após algum dano
Rovena Rosa/ Agência Brasil
Árvores mais velhas são mais vulneráveis à queda, já que as mais jovens se recuperam melhor após algum dano


Solicitação à Prefeitura

O pedido de poda ou remoção de árvores pode ser feito pelo telefone 156 ou pelo site da prefeitura. As solicitações são encaminhadas para a divisão de áreas verdes da Coordenadoria de Projetos e Obras de cada subprefeitura. Se o serviço não for realizado, é possível denunciar o órgão para a Ouvidoria Geral do Município.

Após o pedido, os especialistas precisam fazer um laudo técnico indicando as condições da espécie arbórea e qual o serviço necessário. Com a autorização, a poda ou remoção é publicada no Diário Oficial e só assim entra no cronograma de execução. Se o problema ocorre em regiões como Higienópolis e Morumbi, de preservação permanente, ou Pacaembu, com áreas tombadas, também é preciso da autorização dos órgãos responsáveis.

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