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Cinzas teriam sido encontradas em um saco jogado em uma viela; inquérito investiga denúncia de má administração do Cemitério da Consolação

Inquérito foi aberto  após denúncias do Movimento de Defesa do Cemitério da Consolação (MDCC)  e de um vereador
Domínio Público
Inquérito foi aberto após denúncias do Movimento de Defesa do Cemitério da Consolação (MDCC) e de um vereador

Um inquérito foi aberto pelo Ministério Público Estadual para investigar denúncias de má administração no Cemitério da Consolação, no centro de São Paulo. As cinzas do escritor Monteiro Lobato teriam sido encontrados fora do túmulo, após ter sido violado por criminosos.

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Após denúncias do Movimento de Defesa do Cemitério da Consolação (MDCC) e do vereador Nelo Rodolfo (PMDB), o promotor do Patrimônio Público e Social da Capital, Nelson Luís Sampaio de Andrade, iniciou as investigações. O inquérito foi instaurado na terça-feira (16). Foi relatado à promotoria que a Guarda Civil Metropolitana (GCM) encontrou um "saco de cinzas jogado em uma viela" do cemitério. Depois, foi constatado que eram os restos mortais de Monteiro Lobato .

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"Em anos anteriores, roubaram a guirlanda e o portão de bronze do túmulo. Agora, profanaram o túmulo, remexeram na gaveta e levaram a caixa com as cinzas dele", afirma Francisco Machado, diretor do MDCC e autor da denúncia. "Os meliantes não encontraram nenhum objeto de valor e abandonaram a caixa", diz.

Investigação

 Restos mortais de Monteiro Lobato foram recolhidos pela GCM e não houve registro de boletim de ocorrência na sequência
David Shalom/iG São Paulo
Restos mortais de Monteiro Lobato foram recolhidos pela GCM e não houve registro de boletim de ocorrência na sequência


Contratado por várias famílias para cuidar de túmulos, um jardineiro autônomo, que pediu para não ser identificado, disse ter achado os restos mortais do escritor, há cerca de três meses. "A caixinha estava na porta do banheiro onde os coveiros se trocam. Na caixinha estava gravado ‘Monteiro Lobato’", afirma ele.

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Os restos mortais foram recolhidos, então, pela GCM e não houve registro de boletim de ocorrência na sequência, de acordo com o jardineiro. "Devem ter pensado que era uma caixinha com joia, porque já houve outros casos assim", diz. O caso, segundo ele, ocorreu por volta das 11h.

Investigação

Denúncias de "constantes furtos de portas de bronze, casos de elevado valor artístico, bem como outros objetos externos dos túmulos”, serão investigadas pelo MPE. "Começou com pequenos furtos, depois foram as grades de bronze. Hoje, estão roubando até estátua de 300 quilos", informa o diretor do MDCC. Segundo os denunciantes, mesmo com registros de BOs, "nenhuma providência" foi tomada pela administração do Cemitério da Consolação. Suposta má administração do crematório da Vila Alpina e de outros cemitérios também é abordada no inquérito.

A Prefeitura destacou, em nota, que não há "absolutamente nenhum relato" da GCM sobre os restos mortais de Monteiro Lobato e que a informação dada pelos denunciantes é "equivocada". Ainda destacou que o Cemitério da Consolação tem patrulhamento 24 horas e que há duas câmeras em funcionamento no entorno da necrópole. O governo municipal informou também que ainda não foi notificado sobre o inquérito do MP e que o recebimento da denúncia "não corresponde à comprovação dos fatos mencionados."

*Com informações do Estadão Conteúdo