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O risco de ir até a "biqueira" e consumir um produto sem garantia de qualidade leva adeptos à legalização a plantar a própria maconha em estufas caseiras e compartilhar a experiência com outros usuários nas redes sociais

Consumo, cultivo e distribuição da Cannabis sativa são práticas criminosas segundo a Lei de Drogas de 2006
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Consumo, cultivo e distribuição da Cannabis sativa são práticas criminosas segundo a Lei de Drogas de 2006


Visitar as chamadas “biqueiras” – pontos de venda de drogas – é arriscado, assim como consumir erva sem saber a origem do produto. Levando em conta esses dois fatores, o psicólogo Carlos*, de 29 anos, planta a própria maconha desde o ano passado. Ele adquiriu as sementes pela internet e aprendeu o cultivo com um amigo, que faz o mesmo.

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Carlos e o amigo plantaram nove mudas – mas só cinco delas cresceram. Oito meses mais tarde, cada pé rendeu à dupla 30 gramas de erva. "O gosto é outro, o cheiro é outro. Há muita diferença entre a maconha plantada e a que é feita de produtos misturados com a erva vendida por traficantes", explica. Carlos lista ainda outro item que incentiva usuários a cultivarem a própria planta: o medo.

Atualmente, consumo, aquisição e cultivo de entorpecentes são práticas consideradas criminosas e estão previstas no artigo 28 da Lei de Drogas, de 2006. Como punição, o usuário pode receber desde uma advertência até a prestação de serviços à comunidade e a aplicação de medidas educativas.

Ainda assim, defensores da legalização parecem não se intimidar e seguem cultivando, tomando apenas o cuidado de não ultrapassar o limite que separa a produção para consumo e a produção para distribuição – que, para a legislação de 2006, é tão crime quanto a venda.

Não faltam canais no Youtube e páginas no Facebook  que fornecem dicas sobre os melhores materiais para construir estufas, o tipo de iluminação que mais favorece as plantas e outras técnicas de cultivo. Há, também, uma infinidade de informações sobre os tipos de ervas, sementes e resultados esperados. Hoje, umas das páginas com maior audiência é a Groowroom, que chega a bater a marca de 200 usuários online simultaneamente.

Não faltam páginas e canais nas redes sociais que fornecem dicas para melhorar o cultivo caseiro da maconha
Rovena Rosa/Agência Brasil
Não faltam páginas e canais nas redes sociais que fornecem dicas para melhorar o cultivo caseiro da maconha

Na semana passada, o youtuber conhecido THC Procê foi detido em Brasília  depois de passar dois anos alimentando um canal no Youtube com informações de plantio e cultivo da Cannabis sativa. Segundo a polícia, THC é acusado de distribuir sementes e erva aos seus seguidores – ele foi indiciado sob suspeita de tráfico de drogas e pode ser condenado a até 20 anos de prisão.  

O engenheiro Caio*, de 25 anos, mora na cidade de Sorocaba, no interior de São Paulo, e recebeu sementes de maconha pelo correio, depois de comprá-las na internet usando seu cartão de crédito internacional. A ideia era plantar por curiosidade – segundo ele, sempre teve "afeto grande com plantas, animais e natureza em geral".

Além disso, assim como Carlos, Caio conta que queria evitar o contato com traficantes e com produtos de baixa qualidade. "Conheço poucos que têm o intuito de plantar para vender. A maioria o faz para evitar contato com o tráfico e ter um produto de qualidade", disse.

Caio começou a plantar maconha quando ainda morava sozinho. Mais tarde, voltou a morar com a mãe e foi obrigado a interromper o cultivo. “Se eu pudesse, plantaria de novo. É um hobby – gosto de cultivar assim como gosto de desmontar meu carro, por exemplo”.

*Com informações do Estadão Conteúdo