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"Se a polícia francesa não consegue deter ataques dentro do seu território, o treinamento dado à polícia brasileira não servirá em nada", declarou o grupo terrorista em página na rede social Telegram; Abin ainda não se pronunciou

Informação foi divulgada por agência norte-americana especialista em monitoramento de atividades terroristas na web
Reprodução/Twitter
Informação foi divulgada por agência norte-americana especialista em monitoramento de atividades terroristas na web


Um grupo extremista no Brasil declarou lealdade ao Estado Islâmico e criou um canal chamado "Ansar al-Khilafah Brazil" na rede social Telegram, que se assemelha ao popular WhatsApp. A informação foi divulgada pela especialista norte-americana em monitoramento de atividades terroristas na web Rita Katz, do SITE, nesta segunda-feira (18).

De acordo com Katz, esta é a primeira vez que uma organização anuncia aliança com o Estado Islâmico na América do Sul e declara submissão ao líder do califado, Abu Bakr al-Baghdadi.


Dentro do canal no Telegram, o "Ansar al-Khilafah Brazil" comentou que, "se a polícia francesa não consegue deter ataques dentro do seu território, o treinamento dado à polícia brasileira não servirá em nada", referindo-se ao apoio que agências internacionais de inteligência têm oferecido ao governo brasileiro na prevenção de ataques terroristas durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

Exército Brasileiro realizou  simulação de ataque terrorista na estação de trem de Deodoro, no Rio, no último sábado (16)
Luciano Belford/Frampehoto/Estadão Conteúdo
Exército Brasileiro realizou simulação de ataque terrorista na estação de trem de Deodoro, no Rio, no último sábado (16)


Em um post no Twitter, Katz ressaltou que o grupo está aproveitando o momento para espalhar a ideologia extremista antes da competição esportiva. No fim de maio, o Estado Islâmico criou o primeiro canal em português da organização, também dentro do Telegram. A página, para propaganda do califado, é uma versão em português do já existente "Nashir Channel".

Procurada pela reportagem da Ansa, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) ainda não retornou ao contato sobre a suposta aliança de um grupo no Brasil ao Estado Islâmico.

O cientista político Heni Ozi Cukier, professor de Relações Internacionais da ESPM, disse que qualquer ameaça precisa ser verificada para se constatar se é falsa ou real. "Pode ser só uma oportunidade de aterrorizar antes dos Jogos", disse. O professor destacou que, caso seja verdadeira, o Brasil precisa aumentar sua vigilância.

Atentado reivindicado pelo Estado Islâmico, em Nice, na França,  na última quinta-feira (14), deixou 84 pessoas mortas
Valery Hache/Agence France Presse/Estadão Conteúdo
Atentado reivindicado pelo Estado Islâmico, em Nice, na França, na última quinta-feira (14), deixou 84 pessoas mortas


Na semana passada, a Assembleia Nacional da França publicou o relatório de uma audição com o chefe da Direção de Inteligência Militar (DRM), general Christophe Gomart, no qual o especialista admitia ter informações de que o Estado Islâmico planejara um atentado contra a delegação francesa durante os Jogos. As Olimpíadas do Rio de Janeiro ocorrerão entre os dias 5 e 21 de agosto.

Devido ao massacre em Nice no último dia 14, quando Mohamed Bouhlel atropelou uma multidão e matou 84 pessoas, o governo brasileiro adotou medidas extras de segurança para os Jogos. Neste domingo (17) foi realizado o terceiro treinamento de forças conjuntas para simular a cerimônia de abertura, que ocorrerá no Maracanã.

A estimativa é de que 5 mil homens da Força Nacional de Segurança Pública e 21 mil oficiais das Forças Armadas, além do contingente fixo do Rio de Janeiro, façam a segurança durante os Jogos Olímpicos.

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