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Diego Vieira Machado foi assassinado na tarde deste sábado; caso está sendo investigado pela Delegacio de Homicídios

Estadão Conteúdo

Amiga afirmou que o estudante de arquitetura só reagia a ataques raciais e homofóbicos
Reprodução/ Instagram
Amiga afirmou que o estudante de arquitetura só reagia a ataques raciais e homofóbicos












O estudante Diego Vieira Machado, de 30 anos, foi encontrado morto, na noite deste sábado (3), no campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na Ilha do Fundão, zona norte da cidade.  Ele era morador do alojamento da instituição.

O corpo apresentava marcas de espacamento e estava sem roupas ou documentos. Policiais da Delegacia de Homicídio da capital fizeram a perícia no local e investigam o caso. A família do jovem é do Pará e foi avisada pela reitoria da UFRJ, que lamentou a morte. "A reitoria se junta aos amigos e familiares do estudante neste momento de dor e informa que acompanhará de perto as investigações sobre o caso junto às autoridades policiais", diz o texto.

Para os amigos de Diego, o estudante foi vítima de um crime de motivação homofóbica. "Ele era teimoso, muito briguento. Mas só reagia aos ataques raciais e homofóbicos que sofria. Eu testemunhei algumas brigas. Ele era uma pessoa boa", contou a estudante de Comunicação Pérola Gonçalves, de 22 anos, amiga de Machado.

A professora de Letras Georgina Martins também criticou, por meio das mídias sociais, a falta de segurança no campus. "Acordei hoje com meu filho chorando por conta dessa notícia horrível: um aluno da UFRJ, morador do alojamento, foi brutalmente assassinado dentro do campus por causa da sua orientação sexual. Ele foi morto à pauladas, ontem, dentro da Cidade Universitária, onde trabalhamos, estudamos e várias pessoas moram. Estou triste e com muito medo. Meu filho é gay, seus amigos são gays e circulam como deve ser, pelo campus do Fundão, todos os dias", escreveu.

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Diego Vieira estudava arquitetura na UFRJ
Reprodução/Facebook
Diego Vieira estudava arquitetura na UFRJ

"Dou aulas à noite, e assim como meus alunos e colegas de profissão, estamos à deriva pois não há transporte suficiente, não há iluminação, não há seguranças circulando pelo campus, não há ninguém que tome alguma providência. Desde sempre é assim, já denunciamos, já chamamos a imprensa e nada foi feito. Continuamos, à noite, abandonados no Fundão, torcendo para que o nosso ônibus chegue logo e nos tire daquele lugar escuro e deserto, como é o Fundão todas as noites e todos os fins de semana. Temos de liberar nossos alunos às 21h30, alguns muito antes disso, às 20h50, porque seus ônibus só circulam de hora em hora e eles moram longe, não moram na Zona Sul e não têm carro".

O site "Tem Local?", plataforma de mapeamento de crimes homofóbicos, se manifestou, neste domingo (3), a respeito da morte do estudante.

"Diego, negro, gay, nortista, morador do alojamento, assassinado com requintes de crueldade na maior universidade do país, a UFRJ no campus da Escola de Belas Artes, deu adeus a todos os seus sonhos de maneira precoce, compulsória, violenta e desumana", diz o texto. Os estudantes querem levar o tema da morte de Machado à reunião do Conselho Universitário (Consuni) da UFRJ, marcada para às 9h desta segunda-feira.