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Foram colocadas 420 calcinhas simbolizando todas as notificações de estupros que ocorrem no Brasil a cada 72 horas

Agência Brasil

Painéis fotográficos da ONG  Rio de Paz  trazem o rosto de modelos com histórico de abusos
Flávia Cruz/Agência Brasil - 10.6.16
Painéis fotográficos da ONG Rio de Paz trazem o rosto de modelos com histórico de abusos

A organização não-governamental Rio de Paz faz nesta sexta-feira (10) uma intervenção com calcinhas e painéis fotográficos para protestar contra o estupro. No vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista, foram colocadas 420 peças íntimas para simbolizar as 420 notificações de estupros que ocorrem no Brasil a cada 72 horas.

Para a coordenadora-geral da ONG em São Paulo, Fernanda Vallim, a situação é ainda mais preocupante por que apenas 10% dos casos são notificados no País. “Isso é escabroso, o poder público não pode mais dar as costas para essa situação, precisa olhar com cuidado. Tratar também da impunidade. Por que isso continua acontecendo? Existe a subnotificação por não haver estrutura para isso. O criminoso sabe que não vai ser preso”, disse.

Os painéis fotográficos trazem o rosto de modelos com histórico de abusos. A exposição passou pela praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, e permanece hoje até as 14h em São Paulo. Em seguida, os painéis seguem para Brasília.

Exposição passou pela praia de Copacabana, no Rio, está em São Paulo e seguirá para Brasília
Rio de Paz/Facebook/Reprodução
Exposição passou pela praia de Copacabana, no Rio, está em São Paulo e seguirá para Brasília


Dionízio Reis, bancário de 33 anos, observou com curiosidade a intervenção. “É chocante. O objetivo aqui é despertar a curiosidade das pessoas. É um assunto muito preocupante. Vemos hoje políticos que indiretamente defendem o estupro se levantando como grandes lideranças no País, isso é muito ruim”, disse.

Fernanda Vallim lembra que as vítimas mais vulneráveis estão na periferia. “O objetivo é sensibilizar o poder público para a criação de políticas públicas de educação, conscientização, para lidar com a cultura do estupro e com a vulnerabilidade das vítimas que se encontram na periferia”, disse ela.