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Morador da Rocinha foi sequestrado e assassinado por policiais militares em 2013, o que gerou série de protestos pelo País

Estadão Conteúdo

Amarildo Dias de Souza: indenização por ação de agentes do Estado vai para viúva, filhas e irmãs
Reprodução
Amarildo Dias de Souza: indenização por ação de agentes do Estado vai para viúva, filhas e irmãs

A família do pedreiro Amarildo Dias de Souza, sequestrado e morto por policiais militares em julho de 2013, terá de ser indenizada pelo governo do Estado do Rio de Janeiro em R$ 3,5 milhões, determina sentença da juíza Maria Paula Galhardo, da 4ª Vara de Fazenda Pública do Rio.

A viúva de Amarildo, Elizabeth Gomes da Silva, e os seis filhos do casal receberão R$ 500 mil cada um, conforme a decisão judicial de primeira instância. As três irmãs do pedreiro, R$ 100 mil cada uma, decidiu a juíza. A mulher do pedreiro ainda terá direito a vencimento mensais no valor do salário mínimo vigente até a morte do marido.

O governo estadual informou que ainda não foi notificado da decisão judicial. É possível que recorra ao Tribunal de Justiça (TJ) do Estado contra a sentença.

Morador da favela da Rocinha, em São Conrado, zona sul carioca, Amarildo desapareceu após ser detido por policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da comunidade, que investigavam a atuação de traficantes de drogas. Ele tinha 47 anos.

O sumiço engrossou as manifestações de rua daquele ano. A frase "cadê o Amarildo" foi entoada em coro por milhares de manifestantes em um período que marcou o boom de protestos nas principais cidades brasileiras.

Em fevereiro, a juíza Daniella Alvarez Prado, da 35ª Vara Criminal da Capital, condenou 12 dos 25 policiais militares denunciados pelo desaparecimento e morte do pedreiro. Os PMs foram condenados pelos crimes de tortura seguida de morte, ocultação de cadáver e fraude processual.

A maior pena foi dada ao ex-comandante da UPP da Rocinha, major Edson Raimundo dos Santos: 13 anos e sete meses de prisão. O subcomandante da unidade, tenente Luiz Felipe de Medeiros, foi sentenciado a dez anos e sete meses de reclusão. O soldado Douglas Roberto Vital Machado, a 11 anos e seis meses.